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01 outubro 2026

Uma nova ameaça ao Itamaraty?

Estamos às vésperas de um possível novo caos no Itamaraty, como já ocorreu sob o chanceler acidental, que não se importava que o Brasil fosse considerado um “pária diplomático”

O ex-ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o então deputado Eduardo Bolsonaro durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados (Foto: Agência Brasil)

Filho 03 do condenado por tentativa de golpe contra a democracia no Brasil ainda pretende, contra sua própria condenação por coação contra a Justiça brasileira, tornar-se chanceler brasileiro, no caso de vitória do filho 01 nas eleições de outubro de 2026.

Bananinha 03 tem raiva do Itamaraty desde quando foi sabotado em sua intenção de se tornar embaixador em Washington, ainda em 2019, tudo anunciado abertamente, como se a Convenção de Viena de 1961 sobre relações diplomáticas não valesse nada.

A despeito de totalmente ignorante sobre o mundo diplomático e a politica internacional, Bananinha 03 era o chefe virtual do chanceler acidental que colocaram no Itamaraty para justamente impor sua visão do mundo esquizofrênica, totalmente submissa à franja lunática da extrema-direita trumpista que já tinha destruído o Departamento de Estado dos EUA sob Trump 1 (2017-2020).

Se a franja lunática brasileira retornar ao poder, o Itamaraty sofrerá sob o tacão de algum novo submisso a Trump 2, já que o Bananinha 03 ainda figura como condenado pelo STF por coação contra a Justiça brasileira no caso do processo e julgamento do pai golpista.

Ele atuou e ainda atua contra os interesses do Brasil e de milhões de trabalhadores e milhares de empresários brasileiros, sancionados pela insanidade tarifária trumpista, ao arrepio da cláusula de nação mais favorecida e das normas mais elementares do Direito Internacional e do sistema multilateral de comércio, podendo ser legitimamente considerado um “traidor da pátria”.

Estamos às vésperas de um possível novo caos no Itamaraty, como já ocorreu sob o chanceler acidental, que não se importava que o Brasil fosse considerado um “pária diplomático”. Ele pode ser reabilitado se o golpismo obtiver seu almejado sucesso eleitoral, com o que o Brasil se submeteria imediatamente a Trump 2, começando pela indignidade de integrar de forma subordinada ao chamado “Escudo das Américas”, concebido justamente para enquadrar a diplomacia dos países do hemisfério na visão do mundo daquele que se crê o novo imperador do mundo ocidental, um delìrio completo.

Nunca houve, em sua história de mais de dois séculos, ameaça maior à credibilidade da diplomacia brasileira e à dignidade de toda a nação, ao eventualmente se converter em mero piǎo do autocrata que se pretende imperador hemisférico.

Vou ter de preparar uma segunda edição de meu livro O Itamaraty Sequestrado, de 2021, publicado logo após a demissão do chanceler acidental. Novas ameaças pairam sobre a Casa de Rio Branco.

É diplomata e professor, doutor em Ciências Sociais (Universidade de Bruxelas) e mestre em Economia Internacional (Universidade de Antuérpia). Dedica-se a atividades acadêmicas e é autor de livros sobre relações internacionais, diplomacia econômica e história diplomática do Brasil

Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional

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