Camila Andrade é Research Fellow no Institute for Pan-African Thought and Conversation (IPATC), Universidade de Joanesburgo. Desenvolveu o Pós-Doutorado na UFPB, com o projeto "Decolonizando as Relações Internacionais no Brasil". Doutora em Ciência Política pela UFRGS, com Doutorado Sanduíche na Universidad Nacional de Rosario (UNR). Pesquisadora do Grupo Áfricas: sociedade, política e cultura. Mestre em Relações Internacionais pela UFSC, com pesquisa de campo em Ruanda. Suas principais linhas de pesquisa são Estudos Africanos e do Sul Global, Ruanda e Feminismos Negros. Criou o @camilaafrika, uma comunidade de democratização dos Estudos Africanos.
A participação incipiente da África tanto na fundação da Liga das Nações quanto da ONU foi justamente pelo ‘empreendimento’ (se podemos ironicamente chamar assim) de 1884-1885: a Conferência de Berlim. Ou seja, claramente a colonização definiu profundamente as hierarquias mundiais e o lugar da África no sistema internacional
Por ser em uma zona que não atinge diretamente o Norte Global, há o desinteresse de frear o conflito porque há quem saia lucrando com a continuidade dele
Encontro tem a oportunidade de deixar o legado de reafirmação do multilateralismo e de estratégias concretas para os problemas globais. É fundamental pensar que o multilateralismo deve ser não só mais representativo, mas também mais justo, enraizado em epistemologias africanas e de outras regiões
Fórum da ONU reforça a luta global por justiça racial e reparações históricas, marca a transição para a Segunda Década Internacional dos Afrodescendentes e destaca o papel da sociedade civil e de lideranças afrodescendentes nas demandas por reconhecimento, igualdade e desenvolvimento
Segundo maior país da África e um dos mais ricos do mundo em termos de recursos naturais, a RDC tem um dos mais baixos IDHs e vive um conflito interno há décadas por conta dos efeitos do colonialismo; enquanto isso, países desenvolvidos exploram seus minerais para produzir equipamentos eletrônicos
A União Africana participa de encontro das maiores economias do mundo pela primeira vez, passando a dar voz e representatividade para 96% da população africana que antes não tinha espaço no fórum multilateral
Reunião de think tanks no âmbito do G20 apresenta recomendações para líderes internacionais que vão se encontrar em novembro. Encontro observou a importância das discussões sobre as mudanças climáticas e a urgência de se pensar os desafios da transição energética
Abertura a negócios internacionais, economia verde e participação política de mulheres marcam o país contemporâneo. Ruanda tem presença internacional multinível em busca de desenvolvimento a partir do pan-africanismo pragmático, pregando união do continente, mas sem descartar cooperações com o Norte Global
Apesar de laços históricos com o Brasil, a África e sua história foram relegados a um imaginário superficial construído pelo colonizador. Para pesquisadora, os países africanos ganham relevância internacional, e é preciso aumentar o conhecimento sobre o continente que faz parte da identidade brasileira