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Daniel Buarque: Estudo aponta que diplomacia ambiental foi base da ‘volta’ do Brasil ao cenário global

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Artigo acadêmico se debruçou sobre os cem primeiros dias da política externa do novo governo e indica que a agenda ambiental se tornou o pivô dessa nova diplomacia. Pesquisa diz ainda que a posição de equidistância em relação à guerra na Ucrânia é a mais adequada para perseguir os interesses nacionais

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se abraçam durante a reunião do G77+China sobre Mudança do Clima, na Expo City Dubai (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Por Daniel Buarque*

O anúncio feito por Luiz Inácio Lula da Silva logo após a sua vitória na eleição presidencial em 2022 foi que o Brasil estava voltando ao cenário global. Ao longo de todo o seu primeiro ano de governo, a tentativa de reconstruir espaços para um protagonismo internacional do país esteve sempre em evidência. Mas os resultados dessa estratégia até agora ainda são pouco nítidos, com pouco consenso entre acadêmicos e analistas que publicam em tempo real na imprensa e em redes sociais.

Neste contexto, uma primeira pesquisa formal acaba de ser publicada com uma avaliação dos primeiros cem dias da política externa de Lula em defesa da “volta” do Brasil. A avaliação faz parte do artigo O Brasil está de volta: credibilidade e protagonismo na política externa de Lula da Silva , escrito pelo professor Luciano da Rosa Muñoz, da Universidade de Brasília, e publicado pela revista acadêmica Conjuntura Austral.

‘Agenda ambiental se tornou o pivô dessa nova política externa de Lula por conta da necessidade de se implementar uma nova renovação de credenciais para o Brasil’

O trabalho foca especialmente a atuação brasileira em relação à diplomacia ambiental e à postura do país em relação à guerra na Ucrânia durante os primeiros meses do governo. E argumenta que a agenda ambiental se tornou o pivô dessa nova política externa de Lula, e que isso ocorreu por conta da necessidade de se implementar uma nova renovação de credenciais para o Brasil. “Era preciso restaurar a credibilidade do país após os desencontros do governo anterior com o regime internacional de meio ambiente”, diz.

Ainda assim, o texto defende que o protagonismo do Brasil nessa agenda “depende de sua capacidade de repensar a liderança na América do Sul nos termos da cooperação ambiental, assim como do combate às mudanças climáticas em seu próprio território, o que pode ser prejudicado se projetos de investimento em combustíveis fósseis forem levados adiante”.

‘Equidistância sobre guerra na Ucrânia está enraizada não apenas nas tradições diplomáticas, mas também está em linha com o princípio da não-intervenção’ 

Sobre o conflito na Ucrânia, alega que a posição brasileira de equidistância “é a mais adequada para perseguir os interesses nacionais definidos nos termos do desenvolvimento” e que esta postura está enraizada não apenas nas tradições diplomáticas, mas também está em linha com o princípio da não-intervenção. 

Segundo o trabalho, entretanto, a proposta de Lula de um “clube da paz” poderia até mesmo prejudicar essa tentativa de manter a equidistância, caso o presidente não consiga evitar expor contradições em seus pronunciamentos.

A pesquisa foi desenvolvida usando o método histórico baseado em conceitos brasileiros em relações internacionais como autonomia e equidistância pragmática. Ela busca explicar eventos atuais por meio de estruturas históricas da política externa brasileira dos anos 1930, 1960 e 2000.


*Daniel Buarque é colunista e editor-executivo do portal Interesse Nacional, pesquisador no pós-doutorado do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP), doutor em relações internacionais pelo programa de PhD conjunto do King’s College London (KCL) e do IRI/USP. Jornalista, tem mestrado em Brazil in Global Perspective pelo KCL e é autor de livros como Brazil’s international status and recognition as an emerging power: inconsistencies and complexities (Palgrave Macmillan), Brazil, um país do presente (Alameda Editorial) e O Brazil é um país sério? (Pioneira). 

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Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional 

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