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21 agosto 2026

América Latina entre a estratégia de segurança nacional dos EUA e a China

A escalada da crise com os EUA continua. É previsível, contudo, que o Brasil tampouco aceite qualquer intervenção de Washington para reduzir o comércio e o investimento da China no Brasil, mas acrescentaria mais um item na já ampla agenda do contencioso político-diplomático e comercial do Brasil com os EUA.

Imagem: ChatGPT

“Os países latino-americanos e Caribenhos devem ter liberdade de escolher seus parceiros internacionais, sem interferência externa. A China apoia firmemente os países latino-americanos que buscam manter sua autonomia e diversificada cooperação internacional baseados em seu próprio interesse.”

Em uma crítica direta à intervenção dos EUA na região desde o início do governo Trump em 2025, o presidente Xi Jinping expressou-se claramente nesses termos ao receber o presidente Noboa, do Equador.

Os EUA são o principal parceiro do Equador na área de segurança, permitindo inclusive operação em seu território com tropas norte-americanas para combater carteis considerados organizações terroristas e firmou acordo comercial recíproco com os EUA, com abertura do mercado norte-americano para produtos equatorianos, excluídos os da área de petróleo. 

Por outro lado, os eleitores equatorianos colocaram um limite no alinhamento de Noboa com os EUA ao rejeitar emenda constitucional permitindo a instalação de base militar norte-americana no Equador.

‘“Os EUA são o principal parceiro do Equador na área de segurança, mas o país deve poder comerciar com todo o mundo”, disse o presidente Noboa’

“Os EUA são o principal parceiro do Equador na área de segurança, mas o país deve poder comerciar com todo o mundo”, disse o presidente Noboa, em visita à China para tentar suspender a proibição de importação de alguns produtos equatorianos pelo governo chines.

O Equador, como alguns outros países, inclusive a Argentina, está tentando buscar um equilíbrio nas suas relações com os EUA e a China, levando em conta a crescente ação intervencionista de Washington. 

‘O risco de uma participação mais ativa da China para reagir à política de contenção da presença chinesa na América Latina é mergulhar a região no centro da disputa geopolítica’

O risco de uma participação mais ativa da China para reagir à política de contenção da presença chinesa na América Latina é mergulhar a região no centro da disputa geopolítica com a ação mais direta e intervencionista norte-americana, até aqui, sem uma reação de Pequim.

Manifestação semelhante à feita durante a visita do presidente equatoriano, foi publicada pelo governo chines em relação às ameaças de Washington ao Brasil. Não houve ainda nenhum pedido formal de Washington para o Brasil cancelar contratos ou impedir a ação comercial de empresas chinesas no Brasil, a exemplo do que houve na Argentina contra contrato com a empresa Huawei.

A Argentina, apesar do alinhamento político com os EUA, até agora, não cedeu à pressão de Trump, em virtude da importância do comércio e dos investimentos chineses na economia argentina.

A escalada da crise com os EUA continua. É previsível, contudo, que o Brasil tampouco aceite qualquer intervenção de Washington para reduzir o comércio e o investimento da China no Brasil, mas acrescentaria mais um item na já ampla agenda do contencioso político-diplomático e comercial do Brasil com os EUA.

Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.

Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional

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