O Brasil no comércio internacional
Mudanças nas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e perspectiva de impacto de acordos comerciais com a Europa apontam para uma nova realidade para as relações comerciais do país com o resto do mundo

Recentemente os Estados Unidos tomaram a decisão de reduzir as tarifas de importação para determinados produtos de nossa exportação, incluindo o café, algumas frutas, mas deixando ainda um conjunto de produtos, de nosso interesse comercial, como máquinas e equipamentos, móveis e autopeças.
A pressão interna dos importadores americanos e o imposto elevado das tarifas de importação contribuindo para o aumento da inflação americana foram os fatores decisivos para o início das negociações com o Brasil.
‘Foi complementarmente fundamental a boa química pessoal iniciada pelos presidentes Trump e Lula’
Mas foi complementarmente fundamental a boa química pessoal iniciada pelos presidentes Trump e Lula através de conferências telefônicas e reunião presencial realizada na Malásia.
Em seguida iniciaram-se reuniões entre o ministro Mauro Vieira e o secretário Marco Rubio – estabelecendo-se uma relação de confiança que permite prever-se a regularização das demais pendências no tempo.
O impacto sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos inicialmente foi uma redução de 37,9 % e, após as últimas reduções, restam cerca de 16% a serem solucionados.
‘Vale destacar que as exportações americanas para o Brasil não sofreram restrições’
Vale destacar que as exportações americanas para o Brasil não sofreram restrições, principalmente nas áreas de informática, produtos químicos e serviços, fator que facilitou as negociações.
Um grande trabalho reunindo o setor privado e o governo federal foi iniciado com a pesquisa de novos mercados no mundo para os produtos listados inicialmente com elevação das tarifas pelos Estados Unidos, e o resultado foi positivo.
Uma boa parte das carnes exportadas para os Estados Unidos foi absorvida pelo México, dentro do Acordo ACE 53, e China, e o açúcar para o mercado dos países árabes, e iniciada uma retomada para exportações de bens de capital para a Argentina, em função de recepção do empréstimo ponte americano ao Banco Central Argentino.
‘Com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, com previsão de assinatura em breve, podemos esperar avanços nos setores industriais e de serviços e limitações no setor agrícola’
Com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, com previsão de assinatura em breve, podemos esperar avanços nos setores industriais e de serviços e limitações no setor agrícola europeu, incluindo as carnes bovina e de frango, e o açúcar protegido ao limite máximo pela Política Agrícola Comum da União Europeia.
A França adiantou que pretende impor salvaguardas a produtos agrícolas, e tal política deve ser seguida por Irlanda e Polônia, salvaguardas que poderão ser de proibição total para a importação, como o caso do açúcar, e aplicação de cotas para as carnes.
Por outro lado, países como Alemanha, Países Baixos, Espanha e Portugal são defensores do acordo e têm se pronunciado de forma favorável a sua implementação.
Outro acordo recentemente assinado pelo Mercosul foi com o EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) que reúne Suíça, Noruega e Liechtenstein, tende a ser uma nova pesquisa de Acesso a Mercados pelos esforço conjunto do setor privado e governo federal brasileiro
Por fim, a notícia referente à decisão do governo americano de eliminar a aplicação da Lei Magnitsky sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil abre as portas para uma plena regularização das relações política, econômica e comercial entre os Estados Unidos e o Brasil.
Os Estados Unidos são o maior investidor em setores importantes como industrial e de serviços e atua fortemente na exportação dos produtos agrícolas brasileiros.
Mario Mugnaini Jr. é colunista da Interesse Nacional, engenheiro industrial químico e empresário, foi vice-presidente da Fiesp/Ciesp entre 1998 e 2002, secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior Camex MDIC entre 2003 e 2007 e presidente da Investe SP, Agência Paulista de Investimentos e Competitividade de 2009 a 2011.
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