Renascimento da Avibras
A retomada das operações da Avibras marca uma rara inflexão positiva para a indústria de Defesa brasileira em meio a um cenário global mais instável e competitivo

Depois de quatro anos de paralisação, a Avibras reiniciou suas operações.
Desde o início do governo Lula, o Ministério da Defesa e o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio discutiram fórmulas para evitar que a empresa fosse vendida para o exterior a fim de preservar no Brasil os avanços tecnológicos e os mercados conseguidos ao longo dos anos e que estavam ameaçados de extinção.
O processo chegou a um final satisfatório depois que o setor privado decidiu entrar para salvar a empresa.
‘O empresário Joesley Batista decidiu participar do funding da nova empresa, que conseguiu cerca de R$ 300 milhões com investidores privados’
O empresário Joesley Batista, controlador da J&F, decidiu participar do funding da nova empresa, coordenado pelo Fundo Brasil Crédito, que conseguiu cerca de R$ 300 milhões com investidores privados.
O plano de recuperação da empresa previa que, além dos R$ 300 milhões privados, outros 300 milhões viessem do setor público por meio de financiamento do BNDES. A direção da nova empresa, contudo, decidiu ir adiante e retomar a produção no corrente mês, mesmo sem ter ainda recebido os recursos públicos.
‘A Avibras tem atuação global e projeta, desenvolve, fabrica e comercializa sistemas de defesa e soluções espaciais civis’
A Avibras tem atuação global e projeta, desenvolve, fabrica e comercializa sistemas de defesa e soluções espaciais civis, inclusive mísseis, foguetes e veículos espaciais e lançadores espaciais.
Segundo comunicado da empresa, a companhia “detém o domínio de tecnologias críticas de propulsão e integração de sistemas complexos, apoiada por uma base industrial robusta e elevados padrões de qualidade e desempenho”.
Espera-se que, após os quatro anos em que esteve com suas atividades suspensas, tudo isso tenha sido preservado e os contratos que haviam sido assinados ainda possam ser mantidos e cumpridos. E que seu pessoal técnico possa retornar.
‘A preservação da Avibras é uma notícia positiva, em meio de tantas notícias negativas na área da Defesa’
A preservação da Avibras é uma notícia positiva, em meio de tantas notícias negativas na área da Defesa. O novo cenário global, instável e inseguro, torna a capacidade da empresa muito importante para o Brasil e para os clientes no contexto geopolítico atual.
A Avibras fabrica o sistema de foguetes Astros, vendido para muitos países, entre os quais a Indonésia e a Malásia.
Dada a interrupção de suas atividades, muitos contratos devem ter sido interrompidos, e agora poderão ser retomados. Os principais contratos mantidos atualmente pela Avibras são com o Exército e com a Força Aérea.
Os recursos garantidos para a Defesa pela Lei Complementar 221, que autorizou o montante de R$ 30 milhões em despesas com projetos estratégicos de Defesa até 2031, devem ajudar na sustentação inicial da empresa.
Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.
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