01 junho 2026

As exportações brasileiras e a concorrência internacional

O prolongamento das tensões mundiais como as situações de guerra ora entre Estados Unidos/Israel contra o Irã pode contribuir para um decréscimo do comércio internacional em função do  elevado preço do petróleo, motivado pelo fechamento do estreito de Ormuz. As ações dos Estados Unidos na elevação das tarifas de importação contra alguns produtos da pauta […]

Foto: Agência Brasil

O prolongamento das tensões mundiais como as situações de guerra ora entre Estados Unidos/Israel contra o Irã pode contribuir para um decréscimo do comércio internacional em função do  elevado preço do petróleo, motivado pelo fechamento do estreito de Ormuz.

As ações dos Estados Unidos na elevação das tarifas de importação contra alguns produtos da pauta exportadora brasileira, como madeira e móveis, calçados e máquinas e equipamentos têm causado uma diminuição das exportações brasileiras, que espera-se com a continuidade das negociações governamentais possa a médio prazo ser solucionada .

As exportações brasileiras concentradas em produtos agrícolas, petróleo e minério de ferro têm a China como maior cliente, caracterizando as vendas em um mercado comprador.

Vale analisarmos como o Brasil se situa nas exportações dos produtos agrícolas como  soja, milho, café e carnes em relação a outros países igualmente exportadores e de certa forma concorrentes potenciais, como é o caso dos Estados Unidos em função das ações do presidente Trump, em sua visita à China.

No campo dos produtos como soja, milho e carnes, os principais concorrentes  são os Estado Unidos, maior produtor mundial de grãos, seguido pela Argentina e o Paraguai, com exportações de menor volume.

Nas exportações de café, o Brasil é o maior produtor e exportador seguido pelo Vietnã, que ultrapassou a Colômbia, que ocupa hoje o terceiro lugar nas exportações mundiais.

No caso do minério de ferro, o Brasil lidera as exportações, seguido pela Austrália, e neste caso trata-se de uma situação que beneficia os dois países que têm as maiores jazidas desse minério, e a China tem como política manter os dois países como fornecedores.

As exportações de aço atualmente enfrentam a concorrência de preços praticados pela China e outros países produtores que praticam preços de sobrevivência, dificultam a  atuação do Brasil mantendo as exportações  via inter-companies, notadamente na exportação de slabs para a manufatura final em produtos pelo importador.

No segmento de máquinas e equipamentos, as exportações brasileiras permanecem muito focadas na América Latina, mas já com forte participação chinesa. E as exportações para os Estados Unidos estão afetadas pela aplicação do tarifaço.

Por outro lado, em compensação, com o início da vigência do Acordo Mercosul-União Europeia abrem-se boas perspectivas para a exportação de produtos semi-elaborados e também de autopeças.

As exportações de petróleo têm sua origem a partir das Plataformas na área oceânica do Rio de Janeiro, sendo a Petrobras a maior exportadora, seguida pelas companhias internacionais que operam na área e que exportam prioritariamente ao país investidor.

O mercado é administrado pela OPEP, que abarca os principais países produtores associados, e os produtores em geral fixam um preço internacional de venda do barril  baseado em um tipo petróleo, o Brent, o que regulamenta o mercado.

Um segmento que está na ponta da tecnologia é a produção nacional e exportação de aeronaves, como jatos de passageiros ou de turismo, equipamentos militares e de treinamento produzidos pela Embraer, que atua no mercado de exportação com grande sucesso.

No caso dos aviões comerciais, os modelos ERJ 175 e ERJ195 da nova série E2 têm conquistado valiosos contratos de exportação em um mercado onde atua como concorrente o A- 220 da Airbus, da União Europeia, modelo herdado da Bombardier-Canada, que cessou a fabricação de aviões deste porte.

No campo dos jatos executivos a Embraer produz a série Phenom sendo o Phenom 300 o campeão de vendas mundial em um mercado altamente tecnológico, com concorrência americana da Cesna e da Lockheed, Bombardier, do Canadá, e Dassault, da França.

O grande sucesso de vendas no caso de aviões militares é o Tucano, avião de treinamento e também de caça para operações de uso em terrenos acidentados, que tem liderança mundial com modelos exportados para uma considerável lista de países, incluindo os Estados Unidos. Concorre neste espaço, o Pilatus, de fabricação suíça, e alguns fabricantes americanos.

Mas o grande sucesso exportador atualmente é do avião bi-reator cargueiro militar de multipropósito, o C-390 lançado há uns dez anos pela Embrear, que inicialmente vendeu à Força Aérea Brasileira cerca de 20 aviões,  em fornecimento  escalonado e tem exportações para as Forças Aéreas de Portugal, da Hungria e recentemente em um mega contrato para a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos.

Neste campo  a grande concorrência vem dos Estados Unidos através das companhias como Boeing, Loockheed e da União Europeia, no caso, a Airbus e da fabricante espanhola Casa.

Mario Mugnaini Jr. é colunista da Interesse Nacional, engenheiro industrial químico e empresário, foi vice-presidente da Fiesp/Ciesp entre 1998 e 2002, secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior Camex MDIC entre 2003 e 2007 e presidente da Investe SP, Agência Paulista de Investimentos e Competitividade de 2009 a 2011.

Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional

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Comércio Exterior 🞌

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