Apresentação
A profunda transformação da economia internacional impõe ao Brasil a formulação de uma Política Nacional de Segurança Econômica. Nas últimas décadas, esse tema ganhou dimensão estruturante, porque riscos geopolíticos, disrupções logísticas, vulnerabilidades tecnológicas e ameaças cibernéticas passaram a afetar diretamente a estabilidade e a capacidade de decisão dos países. Esse assunto é tema na atual edição da Revista Interesse Nacional. O problema brasileiro não é a inexistência absoluta de instrumentos, mas a ausência de coordenação estratégica e de governança permanente para identificar dependências críticas.
A transição energética e o avanço das tecnologias digitais dão centralidade aos minerais críticos e estratégicos. Esse movimento desloca parte relevante da disputa industrial para cadeias minerais de alta tecnologia e abre espaço para uma estratégia apoiada em condições geológicas e energéticas como defendem articulistas na edição. O sucesso da estratégia depende da coordenação entre setor público, iniciativa privada, instituições de ciência, bancos de fomento e agentes capazes de financiar projetos de longo prazo.
No cenário de ano eleitoral, a desconfiança generalizada da população em relação à política é apontada na edição como o fato político mais importante do Brasil. Não se trata apenas de polarização. Os escândalos se acumulam nas manchetes e o país discute de tudo: Supremo, Congresso, inflação, Pix, facções e tarifas americanas. Por trás desse barulho cresce a pergunta que atravessa todas as classes: depois de tantos anos de confronto, quem consegue entregar alguma coisa?
O recente acordo entre o Brasil e a União Europeia é avaliado na edição como desinteressante ao Brasil, por atender mais às demandas do agronegócio e dos europeus, assim como também é interpretado, por outro articulista, como abrangente, pois cria oportunidades significativas de comércio e investimento entre as duas regiões.
O Supremo volta a ser assunto. O número crescente de conflitos alicerçadores da vida nacional, submetidos ao juízo de conformação do STF nas últimas décadas, deslocou para a Corte parcela substancial da responsabilidade prática quanto à gestão do pacto jurídico-político-institucional da República sob o texto constitucional de 1988. Algo que, como pontuam os autores do artigo, pede reconsiderações.
Boa leitura, os Editores.
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