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06 outubro 2026

Brasil tem visibilidade internacional recorde com cobertura das ‘eleições do ódio’

Decisão sobre o próximo governo mobilizou a imprensa estrangeira, que publicou mais notícias sobre o Brasil na última semana do que em mais de um ano. Tom em geral foi neutro, mas muitos veículos não chegaram a publicar matérias sobre o resultado da votação ainda no domingo por conta da diferença de fuso horário

iii-Brasil – de 28/09 a 4/10/2026

Visibilidade: 128 reportagens em 7 veículos analisados

Classificação das notícias:

75% Neutras

18% Negativas

7% Positivas

A atenção da imprensa estrangeira se voltou ao Brasil de forma intensa nos últimos dias, com a cobertura das eleições em todo o país. O período encerrado no domingo (4) registrou o maior número de menções ao país na mídia internacional em mais de um ano – e muitos veículos não chegaram a publicar matérias sobre o resultado da votação por estarem em fusos horários da Europa, muito à frente do Brasil

No total, foram registrados na semana de transição entre setembro e outubro 128 textos com menção ao Brasil nos sete veículos analisados, volume que é mais do que o dobro da média semanal do Índice de Interesse Internacional (iii-Brasil) e que não era atingido há mais de um ano. O período registrou uma maioria de textos de tom neutro (75%), e uma proporção maior de menções negativas (18%) do que de positivas(7%). 

Entenda como funciona o Índice de Interesse Internacional (iii-Brasil)

Como não contavam com uma cobertura em tempo real, os jornais estrangeiros do hemisfério norte até o domingo encerraram suas reportagens antes de haver qualquer resultado das urnas, então as reportagens tinham como foco mais uma apresentação da disputa do que algo sobre o que de fato aconteceu no pleito.

Em uma reportagem de tom negativo, o espanhol El País diz que a eleição foi marcada pelo sentimento de ódio. “O voto do ódio marca as eleições presidenciais no Brasil. A polarização extrema entre o presidente de esquerda e o direitista Flávio Bolsonaro leva muitos eleitores a escolher o mal menor.”

Um dos temas centrais das publicações estrangeiras foi a tentativa de influência dos EUA, que favoreceram a candidatura de Flávio Bolsonaro. 

“Trump quer controlar a América do Sul. Se Bolsonaro Jr. vencer no Brasil, isso pode se tornar realidade”, diz um artigo publicado pelo britânico The Guardian.

“O presidente dos EUA atribuiu a si mesmo o mérito pelas vitórias da extrema-direita na América Latina, mas essas vitórias tiveram mais a ver com o medo da criminalidade ligada a gangues do que com a sua interferência.”

Segundo o francês Le Monde, “os Estados Unidos buscam influenciar a eleição presidencial, com a cumplicidade de um dos candidatos, Flávio Bolsonaro”

“Alertando para o avanço da extrema-direita na América Latina, um coletivo de acadêmicos, artistas e representantes de associações convoca a acompanhar a eleição prevista para outubro no Brasil — o último grande bastião democrático da região.”

Sendo assim, o único país da América do Sul pesquisado pelo iii-Brasil a Argentina, publicou o resultado das eleições no Brasil com uma reportagem no Clarín reforçando que “Esse é o cenário deixado pela eleição mais masculina deste século no Brasil…O Congresso Nacional do Brasil inclinou-se ainda mais para a direita nestas eleições. Tanto a Câmara quanto o Senado terão maioria de parlamentares conservadores, com o partido de Flávio Bolsonaro mais forte do que nunca.” 

Detalhando que “o filho mais velho do ex-presidente de direita Jair Bolsonaro obteve 47% dos votos válidos no domingo e enfrentará o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva — que conquistou cerca de 45% dos votos —, no segundo turno, em 25 de outubro. As pesquisas previam que Lula lideraria o primeiro turno da votação com uma vantagem de cerca de três pontos percentuais.”

Retrospectiva

Desde o início de abril de 2022, o iii-Brasil coletou e analisou em média 58 reportagens por semana com menções de destaque ao país nos sete veículos de imprensa analisados. 

Ao longo do levantamento, o iii-Brasil registrou em média 53% de reportagens de tom neutro, 25% de menções com tom negativo e 21% de textos positivos sobre o país. 

O Índice de Interesse Internacional (iii-Brasil) é uma análise da imagem do país realizada a partir de um levantamento sistemático de dados sobre notícias que mencionam o Brasil a cada semana em sete publicações internacionais, selecionadas como representativas da imprensa internacional por serem reconhecidas internacionalmente como “newspapers of record”. São elas: The Guardian (Reino Unido), The New York Times (Estados Unidos), El País (Espanha), Le Monde (França), Clarín (Argentina), Público (Portugal) e China Daily (China). O iii-Brasil é produzido semanalmente pela equipe do portal Interesse Nacional e pela pesquisadora Fabiana Gondim Mariutti atua como pesquisadora, professora universitária e consultora. Ph.D. na Inglaterra, pós-doutorado, doutorado e mestrado em Administração, bacharel em Comunicação Social no Brasil e senior high school year nos EUA. Estuda a imagem, reputação e marca Brasil desde 2010. Interesse nas áreas de Place Branding e Public Diplomacy. Nomeada Place Brand Expert pelo The Place Brand Observer, na Suíça. Colunista no Portal Interesse Nacional e do iii-Brasil. Autora de artigos científicos, dois livros e sete capítulos de livros. Em 2025, no Handbook on Public Diplomacy, publica o capítulo "The Brazilian way: Public diplomacy as a means for positive image and global prestige"

Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional