Estrada para o futuro
Contribuição de Temer inclui propostas e diretrizes que cobrem, em grande parte, as principais preocupações da sociedade civil, dos empresários e da classe política. Algumas outras áreas poderão ser acrescentadas às sugestões feitas nas áreas econômica, segurança pública, educação, previdência social, tecnológica, energia, meio ambiente, saúde, social, trabalhista, defesa e política externa. Todas importantes para definir o Lugar do Brasil no mundo de hoje

O ex-presidente Michel Temer divulgou importante trabalho como colaboração para a discussão na campanha presidencial que se aproxima. Uma Estrada para o Futuro contribui com propostas e diretrizes para as principais questões que impactam o crescimento econômico, social, comercial, ambiental, de defesa e externo do país.
O ideal é o de que não haja disputa de nome contra nome, mas de projeto contra projeto. O eleitor tem o direito de saber o que os candidatos pensam fazer em seus eventuais governos. Impõe-se que o voto seja a “favor” de alguém e não simplesmente “contra”, como tem acontecido nos últimos tempos.
‘No momento de grandes transformações globais, torna-se cada vez mais urgente a necessidade de um programa para o país’
No momento de grandes transformações globais, torna-se cada vez mais urgente a necessidade de um programa para o país. Em 1955, JK teve sucesso porque lançou um Plano de Metas. Temer, em 2016, quando assumiu a presidência, divulgou a bem executada Ponte para o Futuro.
Saber o que o governo eleito fará é um caminho para o sucesso de uma campanha eleitoral. Essa fórmula é compatível com a Constituição Federal que é toda permeada pela ideia da transparência e da publicidade daqueles que, no futuro, praticarão atos públicos.
Temer, na introdução do trabalho, ressalta que não é possível levar a campanha eleitoral à base de agressões verbais e até físicas. A Constituição Federal exige “solução pacífica de todos os conflitos”. E é na Constituição que está escrita a vontade do povo. Na Constituição de 5 de outubro de 1988, os constituintes apenas expressaram a vontade popular, como seus procuradores que eram.
‘Na democracia, a “polarização” é fundamental. Polarização de ideias, de programas, de conceitos, de projetos. A divergência é fundamental na democracia’
Na democracia, a “polarização” é fundamental. Polarização de ideias, de programas, de conceitos, de projetos. A divergência é fundamental na democracia. Até a oposição é, nela, indispensável. Na formulação constitucional, a oposição existe para “ajudar” a governar. Ajuda quando critica, observa, contradita, impedindo o poder absoluto da situação, do governo.
Mas não é isso que acontece. O que ocorre é uma “radicalização” de posições, como agressões, “xingamentos”, falta de liturgia, de cerimônia e de civilidade política, o que contraria o Texto Constitucional e a vontade popular.
De forma oportuna, Temer sugere aos candidatos que se comprometam, e divulguem, que logo nos primeiros dez dias de seu governo, convidarão dois outros Poderes do Estado, também setores da sociedade civil assim como a oposição a fim de realizarem uma espécie de “Pacto Republicano” para trazer paz, tranquilidade e desenvolvimento industrial, agrícola, social e tecnológico ao país.
‘Um “Pacto Republicano” daria sentido de unidade no país’
Tal medida agregaria, ao invés de desagregar. Causaria efeito extremamente positivo, tanto interna como externamente. Daria sentido de unidade no país, eliminando a preocupação de investidores nacionais e estrangeiros que desejam investir, mas se preocupam, atualmente, com a instabilidade social, política e a insegurança jurídica imperante no Brasil.
É claro que, mais adiante, cada partido político, de oposição e da situação, seguiriam os seus caminhos programáticos. Até porque, eleição só se daria, novamente, em 2028. Esse gesto faria findar a destrutiva divisão entre brasileiros, entre corporações e até entre Poderes.
A contribuição de Temer inclui propostas e diretrizes que cobrem, em grande parte, as principais preocupações da sociedade civil, dos empresários e da classe política. Algumas outras áreas poderão ser acrescentadas às sugestões feitas nas áreas econômica, segurança pública, educação, previdência social, tecnológica, energia, meio ambiente, saúde, social, trabalhista, defesa e política externa. Todas importantes para definir o Lugar do Brasil no mundo de hoje.
Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.
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