16 janeiro 2026

O relatório do World Economic Forum 2026 sobre riscos globais

Estudo do Fórum Econômico Mundial com previsões para o futuro deveria ser levado em conta por formuladores de políticas empresariais e governamentais em países como o Brasil, que não dispõe de um pensamento estratégico e de um programa com visão de médio e longo prazos

(Foto: WEF)

Acaba de ser divulgado relatório o World Economic Forum sobre os Riscos Globais em 2026. O relatório analisa os riscos globais no período 2026-2036. O capítulo 1 apresenta as previsões para o ano de 2026, de curto e médio prazos, até 2028, e o longo prazo até 2036. O capítulo 2, explora as implicações e interconexões desses riscos.

Segundo a pesquisa global, os principais riscos em 2026 são a confrontação geoeconômica, o conflito armado entre Estados, desastres com temperaturas extremas, polarização social e desinformação e informação falsa.

‘As projeções de risco para 2028 mantiveram a confrontação geoeconômica como o item principal da agenda’

As projeções de risco para 2028 mantiveram a confrontação geoeconômica como o item principal da agenda, seguida agora de desinformação e informação falsa e de conflito armado entre Estados. A utilização de sanções e regulamentação de restrições de capital e de utilização das cadeias produtivas como armas da estratégia geoeconômica completam a lista dos principais riscos.

As projeções para os próximos dez anos, até 2036, colocam em primeiro lugar desastres ambientais em função de temperaturas extremas, biodiversidade e colapso do ecossistema ao lado de riscos tecnológicos, como resultados negativos da Inteligência artificial e de tecnologias de ponta, e desinformação e informação falsa.

A partir desses riscos, o relatório examina alguns aspectos importantes das relações internacionais e como eles se relacionam com os riscos globais.

– Multipolaridade sem multilateralismo

Com o multilateralismo encontrando cada vez mais dificuldades e ficando claro o declínio da ordem global baseada em regras estáveis e previsíveis, há o risco crescente de conflitos econômicos e militares entre estados e dificuldade de ações concretas no tocante aos desafios globais. A competição global, a polarização e a dificuldade de enfrentar desafios de forma coletiva criarão novos riscos para a estabilidade social baseada em regras.

– Valores em conflito

Na medida em que a polarização política e na sociedade aumenta, e a tecnologia se torna mais presente na vida das pessoas, enquanto as tensões geopolíticas persistem, os conflitos de valores passam a ser relevantes no tocante à inclusão social e à ação climática nos países.

– Importância de fatores econômicos

Os riscos sobre a economia global podem aumentar pela deterioração econômica e a necessidade de refinanciamento de dívidas e risco de inflação.

– Infraestrutura ameaçada

A deficiência na infraestrutura aumenta os riscos de desastres ecológicos especialmente em função dos frequentes e intensos aumentos da temperatura. A infraestrutura pode se tornar em um novo elemento de conflito bélico, contribuindo para novas crises econômicas e sociais.

São mencionadas igualmente quatro forças estruturais que impactam os eventuais riscos e mostram ramificações globais: aceleração tecnológica, mudanças geoestratégicas, mudança de clima e bifurcação demográfica (com referência às mudanças que estão correndo no tamanho, crescimento e estrutura da população no mundo. As divergências demográficas estão aumentando e terão implicações materiais nos sistemas socioeconômicos e políticos globais).

‘O relatório é útil para chamar atenção dos principais elementos que poderão ou deverão influenciar o aumento dos riscos para todos os países’

O relatório é útil para chamar atenção dos principais elementos que poderão ou deverão influenciar o aumento dos riscos para todos os países. É evidente que o resultado da pesquisa mostra tendências e a projeção para os próximos dez anos pode não se confirmar em função da velocidade das mudanças tecnológicas e pela imprevisibilidade do comportamento das principais potências, como se observa hoje em relação aos EUA.

Por outro lado, o resultado da pesquisa deveria ser levado em conta por formuladores de políticas empresariais e governamentais em países como o Brasil, que não dispõe de um pensamento estratégico e de um programa com visão de médio e longo prazos.

Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.

Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional

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