Voto Interesse Nacional – A importância para a democracia, para os cidadãos e para o futuro do Brasil
As democracias oferecem ao povo um importante instrumento de poder: o voto. Os que julgam que seus países vão mal e precisam mudar têm nele sua arma principal para a promoção de mudanças. Ao invés de ceder ao desalento passivo ou ao silêncio do voto em branco, podem ter no sufrágio a oportunidade de converter […]

As democracias oferecem ao povo um importante instrumento de poder: o voto.
Os que julgam que seus países vão mal e precisam mudar têm nele sua arma principal para a promoção de mudanças. Ao invés de ceder ao desalento passivo ou ao silêncio do voto em branco, podem ter no sufrágio a oportunidade de converter sua insatisfação em participação efetiva, contribuindo para o aprimoramento das instituições e dos rumos nacionais.
Por sua importância, eleições gerais – como as do Brasil em 2026 – deveriam se tornar eventos de grande mobilização popular, com os eleitores torcendo por seus candidatos da mesma forma como ocorre em competições e outros processos seletivos.
Afinal, os vencedores no pleito serão os responsáveis por decisões que afetarão diretamente a vida dos cidadãos e os rumos da nação. Por isso é crucial que votem dispondo do maior número possível de informações sobre os candidatos, para o que muitos países criaram variados sistemas que as fornecem aos eleitores, com graus diversos de sofisticação e uso de tecnologias avançadas.
O avanço da Inteligência Artificial (IA) abriu novas fronteiras para esses sistemas.
Nos Estados Unidos, o Vote Smart fornece dossiês neutros com biografias, votos e fontes de financiamento, enquanto a Ballotpedia atua como uma enciclopédia detalhada de candidatos e propostas.
Na Suíça, o Smartvote utiliza algoritmos de match para comparar as opiniões do eleitor com as de candidatos e partidos. Outras iniciativas de destaque incluem o Wahl-O-Mat na Alemanha, voltado ao alinhamento ideológico, e o TheyWorkForYou no Reino Unido, que monitora minuciosamente a atividade parlamentar.
O Brasil também desenvolveu um ecossistema robusto. O Políticos do Brasil do Poder360 mantém um banco de dados abrangente com histórico de candidaturas e evolução patrimonial; antecedendo eleições, enriquece essa base com inúmeras outras informações sobre os postulates.
O DivulgaCandContas, ferramenta oficial do TSE, centraliza dados sobre bens e contas de campanha.
Outras plataformas importantes são o Ranking dos Políticos, que avalia o desempenho parlamentar, e o Vota Aí!, que utiliza IA para cruzar dados e analisar milhares de programas de governo. A Operação Serenata de Amor também se destaca pelo uso de IA na fiscalização de gastos públicos.
Nenhum desses sistemas, no entanto, prevê cotejo das posições dos candidatos com as de documentos de estratégia que digam respeito aos interesses mais altos de um país, para que estes sejam também levados em conta pelos eleitores, ao lado de suas preferências e aspirações mais diretas e imediatas.
E isso passou a ser fundamental num contexto em que o direito e as organizações internacionais estão em xeque, a lei dos mais fortes assume preponderância no plano mundial, as vulnerabildades dos países menos armados se manifestam, e assim aumenta ou até se torna imperiosa a necessidade de líderes capacidados a enfrentar esses novos desafios.
Inclusive porque o voto também possui relevante papel “externo”, de natureza dissuasória, como sinalizador do ambiente social e indicador da provável reação de uma sociedade nacional frente a medidas de outros governos
Nessas condições, como contribuição para o sufrágio de 2026, o Grupo Interesse Nacional (GIN) reformatou seu documento de estratégia para o futuro do Brasil e criou uma interface amigável para uso dos eleitores que permite, em primeiro lugar, a visualização integral desse texto, em vários formatos, e, em segundo, verificação do grau de convergência entre suas posições e as de candidatos ou pessoas com função pública sobre os quais se deseje informações.
Agentes de inteligência artificial embutidos na interface fazem tal comparação a partir do resultado de pesquisas em fontes oficiais ou de alta confiabilidade contendo suas biografias, realizações, projetos e posições.
Sistema com algumas dessas características denominado Voto Bem Informado – VIB foi desenvolvido e apresentado por dupla composta por Karina Legrand e por mim em competição de projetos com uso de IAs promovida pelo Canal Meio.
A proposta obteve o “segundo lugar”, conforme decisão anunciada em 4 de fevereiro de 2026, tendo recebido o mesmo número de votos do vencedor. O desempate em favor de outro projeto (Segundo Cérebro) se deu com base em votos da comunidade, inovação e possibilidade de uso imediato.
Talvez também por idealismo. Um dos jurados opinou que o VBI tinha sido o projeto mais ousado e ambicioso de todos, mas comentou que para resolver o problema a que se propunha “… o buraco é muito mais embaixo.”
De fato, realisticamente, pretender que os eleitores passem dar ao voto a importância que merece parece muito difícil, como sugere o comentário. Mas hoje os desafios da conjuntura nacional e do cenário internacional exigem intensificação de esforços nesse sentido. E agora as IAs nos fornecem instrumentos inéditos para subsidiar as escolhas dos votantes.
O Voto Interesse Nacional proposto pelo GIN é um deles. Uma grande campanha de valorização do voto, com participação engajada dos mais diferentes setores da sociedade, inclusive dos veículos de comunicação e institutos que realizam e divulgam pesquisas eleitorais, poderia incentivar seu uso, transformando o que hoje pode parecer utopia em uma prática rotineira precedente a cada decisão de voto: a verificação pelos eleitores e pelos partidos políticos, ao escolher nomes para votar, não só das credenciais dos candidatos e de suas propostas, como também o alinhamento destas aos interesses mais altos do país.
Eduardo Gradilone é diplomata, advogado e mestre em Direito Constitucional pela USP. Na carreira diplomática serviu em Washington,Bogotá, Paramaribo, Londres, Tóquio e Cidade do Vaticano. Foi subsecretário das Comunidades Brasileiras no Exterior no Itamaraty, e embaixador em Wellington, Ancara, Bratislava e Teerã
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