O professor Denis Lerrer Rosenfield analisa a visão que põe a Rússia como centro do mundo, e que, no momento, se espraia pelo universo eslavo por afinidade de valores, mesmo que separados por fronteiras territoriais. Isto significa que seus princípios, instituições, costumes e história teriam dimensão sagrada, traduzindo-se por uma validade absoluta, pois remontam a Deus conforme a crença ortodoxa. Por via de consequência, os interesses nacionais russos se sobreporiam a todos os demais, em particular aos do mundo eslavo em um primeiro momento, justificando qualquer invasão ou conquista territorial.
O diplomata propõe neste texto que a guerra na Ucrânia seja vista como a confluência de movimentos de conflitos étnico-ideológicos domésticos e rivalidade entre superpotências. “Reduzir a Guerra a essa última dimensão, ou atribuí-la exclusivamente ao conhecido binômio expansionismo da OTAN versus ameaça existencial à Rússia é grave equívoco”, acentua ao avaliar a guerra à luz de três motivações: ucraniana, russa e a busca da paz. Nem os 100 mil militares russos na fronteira da Ucrânia, nem a era Biden, tida como refém de limites inibidores pela forte oposição republicana, ou mesmo o enfraquecimento por democracias iliberais favoreceu Putin.
Dentre os diversos protagonismos que o Brasil vem perdendo nos últimos anos está também o protagonismo na área de governança da tecnologia. Essa perda é especialmente lamentável porque a tecnologia tornou-se central para as relações internacionais. Temas como inteligência artificial, internet das coisas, criptomoedas, cibersegurança ou 5G, que até recentemente eram discutidos principalmente por setores ligados à tecnologia, passam agora a fazer parte integral da diplomacia, dos organismos internacionais e das relações entre os países.
Os primeiros movimentos do novo governo norte-americano em sua política externa confirmaram expectativas de analistas: uma guinada retórica em relação às más práticas do mandarinato…