Gunther Rudzit e Leonardo Trevisan são professores do curso de Relações Internacionais da ESPM
A comparação entre a abertura diplomática promovida por Nixon e Kissinger nos anos 1970 e a recente aproximação entre Trump e Xi Jinping revela mais diferenças do que semelhanças. Enquanto a estratégia americana na Guerra Fria reorganizou o equilíbrio global ao explorar a divisão sino-soviética, o atual diálogo busca apenas administrar uma rivalidade direta entre as duas maiores potências do mundo. Em um cenário marcado por alianças fluidas, interdependência econômica e ausência de liderança hegemônica, a relação sino-americana continua sendo o eixo central da política internacional, mas sem capacidade de restaurar uma ordem global estável. A diplomacia reduz tensões e amplia a previsibilidade, porém não elimina a competição estratégica nem a crescente fragmentação do sistema internacional
As lições iniciais da Guerra do Golfo III apontam para uma transformação estrutural cujo eixo central é a energia. Se 1973 levou à construção de mecanismos de estabilização e 2001 à busca por autonomia, o momento atual revela um cenário distinto: um sistema em que tais instrumentos mostram limites claros. A segurança energética deixa de ser um problema passível de coordenação centralizada e passa a refletir a fragmentação do sistema internacional