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Felipe Tirado: Ainda sobre redes sociais, (des)informação e a importância de refletir sobre esses temas

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Plataformas estrangeiras declaram querer conectar pessoas e compartilhar fotos e vídeos, mas há consequências negativas que resultam dessas interações a partir de pessoas e páginas que se prestam a produzir conteúdo problemático. Para pesquisador, é preciso considerar que na realidade, elas lucram com a informação compartilhada pelos usuários e os mais diversos usos dessas informações — inclusive para influenciar eleições

Redes sociais podem ter consequências problemáticas para a sociedade (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Por Felipe Tirado*

A coluna de dezembro propôs uma reflexão sobre a importância de nomear as coisas em um mundo cada vez mais conectado; mais do que isso, um mundo no qual os interesses se tornam cada vez mais obscuros e no qual o domínio da informação é uma das principais fontes de lucro. Em determinado momento, o texto tratou a questão dos danos causados nas redes (sociais) por certos atores que pretendem debater e ensinar, sem qualquer capacidade específica ou conhecimento prévio.

A presente coluna parte desse debate. Especificamente, da questão das consequências negativas que resultam dessas interações a partir de pessoas e páginas que se prestam a produzir esse tipo de conteúdo.

Antes de discutir mais a fundo, duas questões devem ser esclarecidas. O primeiro aspecto é sobre o que está sendo discutido. A segunda questão é entender quem são essas pessoas que pretendem debater ou ensinar nas redes de forma inadequada.

‘A grande maioria dos usuários dessas redes não tem a menor ideia de como seus dados são utilizado’

Todas as quatro redes sociais com mais usuários têm origem e sede nos Estados Unidos (Facebook, YouTube, WhatsApp e Instagram), três delas são da mesma companhia, a Meta. As duas seguintes da lista são chinesas, a primeira é uma espécie de WhatsApp, o WeChat, e a segunda é o TikTok, que dispensa apresentações. A grande maioria dos usuários dessas redes não tem a menor ideia de como seus dados são utilizados — isso é um consenso, além de ser assustador.

Atualmente, essas redes sociais têm como objetivos principais — de acordo as próprias — conectar pessoas e compartilhar fotos e vídeos. Certamente, esses são apenas parte dos objetivos dessas plataformas, a parte que é divulgada e amplamente aceita, muitas vezes de forma irrefletida. 

‘Novos formatos dessas ferramentas já afetam as eleições dos Estados Unidos e certamente afetarão nossas eleições municipais’

Como já sabemos, na realidade, essas plataformas lucram com a informação compartilhada pelos usuários e os mais diversos usos dessas informações — inclusive para influenciar eleições. O caso do Facebook com a Cambridge Analytica é paradigmático, apesar de haver milhares de outros exemplos, inclusive diversas instâncias nacionais. Novos formatos dessas ferramentas já afetam as eleições dos Estados Unidos e certamente afetarão nossas eleições municipais.

Apesar de haver poucos dados globais, onde há dados, o percentual de jovens e crianças que usam essas redes é enorme, assim como o percentual dos usuários que têm essas faixas etárias e quanto tempo eles gastam nessas ferramentas (partindo aqui de uma generalização de dados dos EUA). 

‘Em razão da breve existência das redes, temos muito pouco conhecimento sobre as consequências negativas de seu uso’

Isso, por si só, já deveria causar muito mais preocupação do que parece causar. Em razão da breve existência das redes, temos muito pouco conhecimento sobre as consequências negativas de seu uso. Os estudos e os exemplos cotidianos que observamos não são dos mais otimistas. Além disso, não apenas a China, mas também proprietários e empregados dessas redes sociais restringem o acesso de (suas) crianças — o que certamente não é um bom sinal.

Enfim, todos esses temas são apenas para dar um panorama inicial e não serão discutidos nesse texto. Profissionais, muito mais bem preparados do que eu, têm opiniões bem claras (e majoritariamente negativas) sobre o uso de redes — compartilhando suas opiniões técnicas sobre esses assuntos, inclusive, nessas redes. A intenção aqui foi tornar (ainda mais) evidente a amplitude do alcance e a influência dessas redes no nosso dia a dia — independentemente de nossa idade, por exemplo.

Agora, passamos ao segundo ponto: quem são as pessoas que “pretendem debater ou ensinar nas redes de forma inadequada”? 

Como introduzido, há uma série de especialistas sérios e comprometidos com os mais diversos temas com presença nas redes sociais. Pessoas que estudaram a vida toda para discutir um tema e tentam fazê-lo de forma acessível e, mais do que isso, honesta. Por mais que essas pessoas tenham limitações e errem (o que é inerente a todos nós), elas estão longe de ser o problema. Um problema, talvez, seja como essas pessoas se adequam às estruturas dessas redes, mas aí é uma conversa para outra hora.

‘Ao mesmo tempo em que as redes sociais ampliaram o acesso à informação, também se tornaram uma ferramenta que propicia a amplificação da circulação de desinformação’

O problema tratado aqui, e que parece ser bem maior, é outro. Ao mesmo tempo em que as redes sociais ampliaram o acesso à informação e a debates de qualidade, elas também se tornaram uma ferramenta que propicia a amplificação da circulação de desinformação e de mentiras, e a aplicação de golpes e uma série de crimes mais graves. 

Se você discorda da afirmação acima, e crê que “a internet não é terra sem lei”, sugiro o seguinte exercício: você acha que a fiscalização e prevenção estatais são o bastante para reduzir a ocorrência de crimes no Brasil? Se você achar que são o bastante, perfeito, realmente não tenho argumentos para você.

Por outro lado, se você sabe que crimes continuam ocorrendo aos montes, apesar de todo o aparato de fiscalização e prevenção do Estado (por mais insuficiente que seja), peço que imagine o que ocorre em um espaço sem fronteiras, no qual o anonimato é amplo, e onde não há estruturas de fiscalização e prevenção nem próximas daquelas oferecidas pelo Estado. Enfim, parece óbvio, não?

‘Nessa arena com poucas restrições, fiscalização e prevenção, desinformação, mentiras, golpes e crimes mais graves são praticados diariamente’

Esse é o espaço que está sendo discutido aqui. Nessa arena com poucas restrições, fiscalização e prevenção, todos aqueles atos citados acima são praticados diariamente — em uma proporção difícil de imaginar. E-mails ou mensagens com phishing, ofertas de príncipes nigerianos que estão com os fundos restritos depois da morte de seus pais, pessoas alegando que fizeram milhões de reais por conta própria antes dos 21 anos são alguns dos clássicos. Você provavelmente já foi vítima ou ouviu sobre alguma dessas práticas.

Além dessas práticas comuns, há também páginas inteiras dedicadas a condutas similares ou condutas que são, à primeira vista, menos lesivas, mas que podem gerar danos iguais ou maiores. São “páginas de fofoca” que não checam a fonte, origem, veracidade ou qualquer outro aspecto da informação repassada. Há também os “especialistas” que prometem a solução de todos os seus problemas, basta que você compre o curso que eles oferecem e que, “coincidentemente”, está na promoção e pode ser parcelado em várias vezes — a absolutamente todo e qualquer momento. E não podemos nos esquecer dos indivíduos e “movimentos políticos” que dizem ser a favor da “liberdade de expressão” e do “debate”, mas, quando criticados (ou melhor, desmascarados), usam todos os meios possíveis para restringir a liberdade de expressão do outro e difamar quem quer que seja. Isso para citar apenas alguns exemplos.

Nesse ponto estávamos quase entrando na questão proposta, mas, infelizmente, ao apresentar o pano de fundo que julguei necessário, extrapolei o meu limite de palavras (mais uma vez). Parece que essa será a segunda em uma série de três colunas; peço desculpas ao meu editor e espero que você fique interessado no desfecho na próxima coluna….


*Felipe Tirado é colunista do Interesse Nacional e do Jota, teaching assistant, tutor e doutorando em direito no King’s College London (KCL). Mestre em direito pelo KCL e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pesquisador associado ao Constituições, Crisp/UFMG e ao King’s Brazil Institute.

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Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional

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