O presente texto traz uma tese e duas hipóteses sobre a relação entre a eleição municipal, recém-ocorrida, e o pleito presidencial de 2022. A tese é a de que o resultado da eleição municipal revelou que o sistema político vigente até 2018 não se recompôs da implosão a que foi submetido pela ascensão do fenômeno político-eleitoral do bolsonarismo. A primeira hipótese é a de que esse desfecho aumenta ainda mais o grau de indeterminação do processo eleitoral presidencial que ocorrerá daqui a dois anos. A segunda hipótese é a de que, apesar da inépcia institucional de Bolsonaro, seja à frente do governo, seja pela incapacidade de organizar partidariamente sua base social e ideológica, o bolsonarismo tem chances de disputar, de maneira competitiva, a sucessão presidencial.
O Brasil dá sinais claros de que está começando a se recuperar da mais longa e grave recessão econômica de sua história. O país ainda sofre os efeitos do cenário de devastação deixado pelos governos do PT, mas a estagnação já não é mais uma realidade. Paulatinamente, a letargia que assolou a economia nacional por toda a segunda metade da última década vai ficando para trás.
A opção pela agenda econômica reformista e liberal foi feita pelos brasileiros nas eleições de 2018, quando o desastroso legado da esquerda acabou rechaçado tanto no plano federal quanto na maioria dos estados. Com muito orgulho, posso dizer que o Governo de São Paulo está cumprindo à risca a vontade popular expressa soberanamente pelo voto.
Ideias orientam ações que tanto podem conduzir ao bem coletivo, por mais variadas que sejam as suas significações, quanto podem conduzir à anomia social e, em casos mais graves, a crises institucionais. Decisões políticas estão baseadas em ideias, por mais variáveis que essas sejam. O quadro de ideias que tínhamos até esta última eleição era amplamente dominado pela esquerda, seja em sua vertente dita socialdemocrata, seja em sua vertente petista, que remonta à experiência comunista do século XX, de cunho revolucionário, embora o PT tenha oscilado em assumir explicitamente esta tradição.
O país realiza em outubro as eleições mais importantes dos últimos 20 anos. Em meio a uma conjuntura que combina os efeitos provocados por uma crise profunda nos âmbitos político, econômico e ético, não é difícil entender o porquê.