A comparação entre a abertura diplomática promovida por Nixon e Kissinger nos anos 1970 e a recente aproximação entre Trump e Xi Jinping revela mais diferenças do que semelhanças. Enquanto a estratégia americana na Guerra Fria reorganizou o equilíbrio global ao explorar a divisão sino-soviética, o atual diálogo busca apenas administrar uma rivalidade direta entre as duas maiores potências do mundo. Em um cenário marcado por alianças fluidas, interdependência econômica e ausência de liderança hegemônica, a relação sino-americana continua sendo o eixo central da política internacional, mas sem capacidade de restaurar uma ordem global estável. A diplomacia reduz tensões e amplia a previsibilidade, porém não elimina a competição estratégica nem a crescente fragmentação do sistema internacional
A recepção cuidadosamente coreografada de Xi Jinping a Donald Trump reforçou a mensagem de que a China se vê como rival estratégica dos Estados Unidos em um sistema internacional em transformação. Tendo Taiwan como ponto mais sensível da disputa, o avanço tecnológico chinês, a crescente interdependência econômica e a competição por liderança global elevam o risco de tensões entre as duas potências
As guerras, tensões comerciais e choques sobre energia e fertilizantes estão reacendendo a inflação global e reduzindo as perspectivas de crescimento. Para o Brasil, o impacto mais duradouro pode vir pelo canal financeiro: juros elevados por mais tempo aumentam o custo da dívida pública, encarecem investimentos e crédito e ampliam os desafios de uma economia já marcada por baixo crescimento e limitada capacidade fiscal
A fragmentação da ordem internacional e a substituição do multilateralismo por disputas entre grandes potências começam a atingir diretamente o agronegócio brasileiro, setor que depende de mercados abertos, cadeias globais estáveis e regras previsíveis. A crescente dependência da China, os riscos geopolíticos envolvendo fertilizantes, Oriente Médio e guerra comercial colocam o Brasil diante de um cenário em que comércio exterior passa a ser instrumento de pressão política e estratégica
Neste episódio os professores da ESPM Guther Rudzit e Leonardo Trevisan falam sobre os rumos do mundo pós 3º choque do petróleo. Mais além, os professores trazem uma visão do comportamento mundial atual e como a geopolítica deve se comportar ao longo dos próximos anos, pensando em mundo, Estados Unidos, China e oriente, Europa e, […]
A guerra no Oriente Médio abriu um precedente inédito e alarmante ao transformar plantas de dessalinização em alvos militares estratégicos. Em uma região onde milhões de pessoas dependem quase integralmente da água dessalinizada para sobreviver, ataques contra essa infraestrutura expõem a fragilidade hídrica do Golfo Pérsico, ampliam o risco de colapso humanitário e colocam em xeque a capacidade do direito internacional de proteger serviços essenciais em cenários de conflito
O mundo pode estar ingressando num período de retrocessos nas principais conquistas obtidas desde a implosão do “modo socialista de produção” nos anos finais do século XX. O Brasil precisa refletir sobre suas interações com os principais atores das relações internacionais, econômicas e políticas, e talvez reforçar os vínculos entre potências médias como forma de se precaver contra o unilateralismo agressivo das grandes potências mundiais
Por Vitor Stuart Gabriel de Pieri e Ricardo Luigi* Uma leitura sobre os conflitos atuais tem ganhado força entre analistas de geopolítica: a de que a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio e no Leste Asiático não são episódios isolados, mas partes de uma mesma transformação estrutural do sistema internacional. Em vez […]
A ONU não foi desenhada para constranger decisivamente as grandes potências em questões de segurança vital, mas para evitar que seus conflitos escalassem para guerras sistêmicas, e o discurso de que ela é inútil não é neutro e tende a reforçar narrativas que deslegitimam o multilateralismo e privilegiam uma visão do sistema internacional baseada exclusivamente na força
As lições iniciais da Guerra do Golfo III apontam para uma transformação estrutural cujo eixo central é a energia. Se 1973 levou à construção de mecanismos de estabilização e 2001 à busca por autonomia, o momento atual revela um cenário distinto: um sistema em que tais instrumentos mostram limites claros. A segurança energética deixa de ser um problema passível de coordenação centralizada e passa a refletir a fragmentação do sistema internacional