Premiê canadense fala em geometria variável, que poderia ser descrito como autonomia por sobreposição e acrescenta outra dimensão. As parcerias são organizadas segundo ecossistemas estratégicos distintos, nos quais tecnologia, segurança, energia, infraestrutura, finanças e produção passaram a se misturar. Um país não precisa escolher entre dois polos em todos os temas. Pode participar de arranjos diferentes, com parceiros diferentes, buscando impedir que uma única relação concentre todas as suas vulnerabilidades
Seja qual for o resultado eleitoral, estamos, infelizmente, em um processo de reconfiguração do sistema internacional que não favorece nenhum dos potenciais novos governos brasileiros
Nota sobre a postura do governo Lula no tocante ao “conflito na Ucrânia”, pela via das declarações oficiais do governo Lula a respeito do que é, de fato, uma guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia.
As oito candidaturas à Secretaria-Geral expõem insatisfação com os resultados das conferências climáticas e, em um dos casos, uma relativização do consenso científico sobre as causas do aquecimento global
O que parece ser uma crise extremamente atual expõe, na verdade, uma ambiguidade antiga: o direito internacional (tal como o multilateralismo) é necessário, mas profundamente imperfeito e incompleto
Em tempos de crescente polarização, talvez a maior responsabilidade intelectual não seja oferecer respostas imediatas, mas preservar a capacidade de formular boas perguntas
Ao prolongar um conflito sem alcançar objetivos como a mudança de regime em Teerã ou o fim do programa nuclear iraniano, Donald Trump teria enfraquecido a posição estratégica dos Estados Unidos, fortalecido a coesão interna do Irã e aberto espaço para maior influência de China e Rússia no equilíbrio global de poder
Em um cenário de rivalidade crescente entre Estados Unidos e China, o Brasil amplia sua integração econômica com Pequim enquanto preserva instituições, valores políticos e tradições diplomáticas mais próximas do Ocidente. A análise comparada mostra como essa dupla inserção deixou de ser uma escolha circunstancial para se tornar uma condição estrutural da política externa brasileira, impondo o desafio de transformar a busca por autonomia em vantagem estratégica sem depender excessivamente de nenhuma das duas potências
A crescente autonomia de aliados como Israel, Arábia Saudita e parceiros europeus expõe os limites da influência dos Estados Unidos e sugere que o principal desafio da liderança americana no século XXI não é apenas conter rivais, mas coordenar coalizões em um mundo menos hierárquico e mais fragmentado
A comparação entre a abertura diplomática promovida por Nixon e Kissinger nos anos 1970 e a recente aproximação entre Trump e Xi Jinping revela mais diferenças do que semelhanças. Enquanto a estratégia americana na Guerra Fria reorganizou o equilíbrio global ao explorar a divisão sino-soviética, o atual diálogo busca apenas administrar uma rivalidade direta entre as duas maiores potências do mundo. Em um cenário marcado por alianças fluidas, interdependência econômica e ausência de liderança hegemônica, a relação sino-americana continua sendo o eixo central da política internacional, mas sem capacidade de restaurar uma ordem global estável. A diplomacia reduz tensões e amplia a previsibilidade, porém não elimina a competição estratégica nem a crescente fragmentação do sistema internacional