O segundo turno brasileiro definirá o equilíbrio regional — e até onde a alternância reforçada conduzirá a maior democracia da América Latina
A popularização da inteligência artificial e o domínio dos vídeos curtos nas redes sociais estão transformando a disputa política. Com baixo investimento e estratégias de viralização, jovens influenciadores e até personagens fictícios conseguem mobilizar eleitores, desafiar políticos tradicionais e lucrar com a polarização, em um cenário no qual a economia da atenção ganha peso crescente nas eleições.
Em meio à polarização eleitoral, a soberania brasileira enfrenta riscos que podem superar os desafios econômicos e democráticos. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e a adesão ao “Escudo das Américas”, promovido por Donald Trump, poderiam comprometer a autonomia diplomática do país e aprofundar sua subordinação aos interesses dos Estados Unidos, em um cenário de crescente tensão geopolítica.
A América Latina atravessa uma profunda reconfiguração. Nos últimos anos, consolidou-se uma expressiva guinada conservadora, redesenhando o mapa ideológico regional. No centro desse novo ciclo está o Brasil, que no dia 25 de outubro enfrenta o decisivo segundo turno de suas eleições presidenciais, disputado entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O resultado […]
Os eleitores brasileiros não se limitaram a votar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles enterraram um projeto político que vinha sobrevivendo artificialmente há quase uma década
É fato, repetido ad nauseam, que existe uma considerável confusão no eleitorado brasileiro no que tange à definição de esquerda e direita. Problema agudo num contexto de eleições presidenciais(Carreirão 2002). Por exemplo, o DataSenado mostrou que 40% dos entrevistados em 2024 não se consideravam nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Muitos leitores […]
A banalização faz com que o escândalo deixe de produzir reflexão. O personalismo dificulta a separação entre a esfera pública e a privada. O Estado patrimonialista permite que práticas e interesses sobrevivam à alternância dos governantes
Estamos às vésperas de um possível novo caos no Itamaraty, como já ocorreu sob o chanceler acidental, que não se importava que o Brasil fosse considerado um “pária diplomático”
Em plena corrida eleitoral de 2026, uma pergunta chama atenção: que política externa os candidatos à Presidência da República pretendem construir para a África? Um levantamento realizado pelo Instituto Brasil África (IBRAF), que analisou os programas de governo dos 13 presidenciáveis, revela um cenário significativo: embora sete candidaturas façam alguma referência ao continente, as propostas […]
Premiê canadense fala em geometria variável, que poderia ser descrito como autonomia por sobreposição e acrescenta outra dimensão. As parcerias são organizadas segundo ecossistemas estratégicos distintos, nos quais tecnologia, segurança, energia, infraestrutura, finanças e produção passaram a se misturar. Um país não precisa escolher entre dois polos em todos os temas. Pode participar de arranjos diferentes, com parceiros diferentes, buscando impedir que uma única relação concentre todas as suas vulnerabilidades