A abundância de recursos naturais e a liderança agroalimentar, longe de serem apenas ativos de influência, podem transformar o Brasil em um alvo de disputa ou coerção pelas grandes potências eurasianas e pela superpotência norte-americana. Na ausência de capacidades militares compatíveis com sua extensão territorial e econômica, o país corre o risco de ser reduzido a um objeto da política externa alheia, em vez de sujeito
Em um cenário de rivalidade entre potências, ressalta-se a importância do Direito Internacional como base da ordem global, destacando a contribuição brasileira e o legado de Antônio Cançado Trindade na humanização do jus gentium. A estabilidade duradoura depende da justiça, da dignidade humana e da cooperação entre nações, acima da lógica da força.
Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, muitos analistas apostaram que o país seria isolado pelo “Ocidente”. Mas China, Índia, Brasil e vários outros Estados não aderiram às sanções. Pelo contrário: aumentaram o comércio com Moscou, negociaram em moedas alternativas e reforçaram fóruns como o BRICS. Diversos analistas descrevem o momento atual como uma […]
Entre o luto das potências ocidentais e o otimismo do Sul Global, a transição para um mundo multipolar revela mais pluralidade do que declínio: a autonomia ganha força com o não-alinhamento ativo, e a cooperação se reinventa, indicando que o multilateralismo não acabou, apenas se transformou em um cenário mais fragmentado e pragmático.
A arquitetura da segurança hemisférica nas Américas atravessa um período de reconfiguração radical. Entre 2025 e 2026, Washington realizou uma transição do paradigma de cooperação policial transnacional para uma abordagem de securitização agressiva e unilateral. Essa tendência consolidou-se após o governo dos Estados Unidos designar oficialmente diversos cartéis mexicanos e o grupo venezuelano Tren de […]
O encontro entre o governo federal e representantes da comunidade judaica brasileira sinaliza uma tentativa de reaproximação após anos de ruídos diplomáticos, controvérsias discursivas e percepção de respostas institucionais frágeis ao antissemitismo. Embora simbolicamente relevante, o gesto ocorre em contexto politicamente sensível e levanta dúvidas sobre sua consistência e continuidade, evidenciando o desafio de substituir gestos pontuais por canais permanentes de diálogo e políticas públicas previsíveis.
Entre o protagonismo nos julgamentos do Petrolão e da trama golpista e a atual crise desencadeada pelo escândalo do Banco Master, o STF enfrenta um dilema decisivo: manter a tradição de autodefesa corporativa ou reafirmar a institucionalidade por meio de padrões éticos claros. Se antes o corporativismo serviu como escudo contra ataques antidemocráticos e partidários, hoje ele ameaça a própria credibilidade da Corte, exigindo autocorreção e compromisso republicano
Apesar de laços históricos, os dois países ainda estão distantes em termos de política e economia, mas há espaço para fortalecimento das relações com a visita do presidente a Nova Delhi
As mensagens presidenciais da República Velha costumavam ser bastante detalhadas na exposição de dados econômicos e de propostas de políticas para a correção de crises e de dificuldades momentâneas, ao lado de anúncios de iniciativas de reformas setoriais ou gerais, nem sempre concretizadas pelo Parlamento ou levadas a cabo pelo Executivo. Entre 1933 e 1937, […]
Por décadas, a integração latino-americana foi tratada como ideal retórico, frequentemente evocada em discursos oficiais e declarações presidenciais, raramente convertida em coordenação efetiva. Essa abordagem perdeu sustentação. No cenário internacional atual, marcado por rivalidade entre grandes potências, diplomacia transacional e enfraquecimento seletivo das regras multilaterais, a fragmentação regional passou a gerar custos concretos. Para o […]