Premiê canadense fala em geometria variável, que poderia ser descrito como autonomia por sobreposição e acrescenta outra dimensão. As parcerias são organizadas segundo ecossistemas estratégicos distintos, nos quais tecnologia, segurança, energia, infraestrutura, finanças e produção passaram a se misturar. Um país não precisa escolher entre dois polos em todos os temas. Pode participar de arranjos diferentes, com parceiros diferentes, buscando impedir que uma única relação concentre todas as suas vulnerabilidades
Seja qual for o resultado eleitoral, estamos, infelizmente, em um processo de reconfiguração do sistema internacional que não favorece nenhum dos potenciais novos governos brasileiros
O Brasil precisa olhar para o Camboja com mais atenção: não porque ele seja o maior mercado da Ásia, mas porque pode ser uma peça importante de uma estratégia brasileira mais ampla para o Sudeste Asiático.
Nota sobre a postura do governo Lula no tocante ao “conflito na Ucrânia”, pela via das declarações oficiais do governo Lula a respeito do que é, de fato, uma guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia.
A arquitetura disfuncional de hoje contribuiu para transformar a Corte Suprema em ator político de peso, com todos os vícios e distorções inerentes a esse descaminho
A eleição de 2026 incorporou o processo de domesticação da política externa, em que questões internacionais são selecionadas, simplificadas e incorporadas ao conflito político nacional com o objetivo de reafirmar uma identidade interna. O fenômeno ocorre em um ambiente internacional marcado pela competição entre grandes potências, pela erosão das instituições multilaterais, pela expansão da geoeconomia e pela circulação transnacional de movimentos políticos.
Vargas aproveitou o protagonismo geoestratégico para extrair benefícios da disputa teuto-americana por hegemonia, no pré-guerra, e, depois, de sua participação ativa no conflito. Em momentos de rearranjos do sistema internacional, provou-se há 80 anos, a boa diplomacia cultural traz dividendos de monta e fortalece a posição do Brasil na comunidade de nações. A construção de reputação nacional sólida, entretanto, demanda esforços continuados que nem sempre coincidem com mandatos e ciclos políticos.
A chave populista: Executivo forte, crise econômica e instabilidade política A história demonstra que muitas democracias na América Latina fracassam quando o governante estabelece canal de comunicação direto com as massas – a chave do populismo. Esse modelo fragiliza as instituições representativas e desfaz o equilíbrio entre os Três Poderes. Prevalece, então, um Executivo onipotente […]
A experiência construída por Brasil e Argentina no setor nuclear mostra que instituições bem desenhadas podem produzir confiança onde antes existia apenas cautela
O que parece ser uma crise extremamente atual expõe, na verdade, uma ambiguidade antiga: o direito internacional (tal como o multilateralismo) é necessário, mas profundamente imperfeito e incompleto