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Este curso usa ficção científica para entender a política

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Professora de ciência política usa obras de ficção para explorar questões de racismo, gênero, anarquia e o fim da civilização, com base em livros que incentivam os alunos a focar nos aspectos políticos de cada obra

A ficção científica ofecere um olhar sobre como são e como podem ser os diferentes governos do mundo (Foto: agsandrew via Getty Images)

Por Nicole Pankiewicz*

Uncommon Courses é uma série ocasional do The Conversation U.S. destacando abordagens não convencionais de ensino.

Título do curso:

“Política e Ficção Científica”

O que motivou a ideia do curso?

Ao assistir Andor –uma série de TV de ficção científica que faz parte da galáxia de filmes, livros e programas de TV de Star Wars – percebi que o que mais me fascina na ficção científica é o aspecto político, especialmente no que diz respeito ao poder.

Decidi criar um curso superior de ciência política que explorasse a política e o governo pelas lentes da ficção científica, com foco na literatura.

O que o curso explora?

Exploramos questões de racismo, gênero, anarquia e o fim da civilização. Escolhi livros que incentivam os alunos a focar nos aspectos políticos de cada obra. No início do curso, pergunto aos alunos até que ponto eles conectam ficção científica e política. No final do curso, os alunos têm a oportunidade de revisitar e revisar sua resposta a essa pergunta. A essa altura, os alunos já participaram de discussões, escreveram artigos e concluíram tarefas curtas que lhes pedem para explorar e articular temas políticos em cada livro.

Acho que os alunos deste curso começam a levar a ficção científica mais a sério como um gênero político, e aqueles que entram na classe como novos leitores de ficção científica aprendem a apreciar seus muitos subgêneros e perspectivas.

Por que este curso é relevante agora?

Como várias legislaturas estaduais procuram restringir o que pode ser ensinado em relação a muitas questões, incluindo raça, é importante entender as estruturas de poder por trás do racismo. A ficção científica é uma maneira ideal de explorar questões de poder e opressão.

Derrick Bell, autor de The Space Traders, é um dos criadores da teoria racial crítica, que sustenta que o racismo foi codificado na lei e na sociedade americana. A história de Bell mistura ficção científica e política para ilustrar como os políticos podem usar a Constituição e a lei para estender as políticas racistas a um grau extremo, tudo em benefício dos americanos brancos.

Qual é a lição crítica do curso?

Em uma das tarefas de redação, peço aos alunos que comparem os temas políticos de Os Despossuídos de Ursula K. Le Guin –incluindo utopia, anarquia, gênero e poder– com outra obra de ficção científica que eles gostem. O objetivo é ajudá-los a fazer conexões com perspectivas políticas em outras obras de ficção científica e levá-los a reexaminar uma obra de ficção científica com a qual já estão familiarizados.

Neste semestre, os alunos fizeram comparações com temas políticos em vários formatos e subgêneros de ficção científica, incluindo Star Wars, The Last of Us e Jogos Vorazes.

Quais materiais o curso apresenta?

  • Os Despossuídos, de Ursula K. Le Guin, um romance que examina de perto a anarquia, a utopia e as relações de gênero.
  • O Incrível Congresso de Futurologia, de Stanislaw Lem, um romance sobre um futuro em que o governo usa drogas alucinógenas para criar a ilusão de utopia.
  • O Poder, de Naomi Alderman, um romance que imagina um mundo no qual as mulheres ganham poder físico e político.

O que o curso preparará os alunos para fazer?

Este curso foi desenvolvido para expor os alunos a temas da ficção científica que irão expandir sua compreensão da política e do poder. Peço aos alunos que explorem e articulem os aspectos explicitamente políticos da ficção científica. Meu objetivo é que os alunos saiam da aula com uma nova perspectiva sobre política e governo que torne a política mais interessante para eles e informe como eles se envolvem com obras de ficção científica, seja como livros, filmes ou algum outro formato.


*Nicole Pankiewicz é professora de ciência política no College of Coastal Georgia


Este texto é uma republicação do site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original, em inglês.


Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional

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