Os autores são, respectivamente, secretária-adjunta da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil da Presidência e analista na mesma Secretaria. Para eles, o Brasil tem grande potencial para se consolidar como líder global por ser a maior economia da América Latina e a 12ª do mundo. “A acessão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) proporcionará benefícios mútuos
para OCDE e para a economia brasileira. Por um lado, somos um País
com laços culturais e econômicos com a maioria dos países do mundo,
o que amplia a representatividade global da instituição e a
legitimidade das suas recomendações e políticas. Por outro, o Brasil poderá elevar sua inserção internacional e ampliar contato com boas práticas.”
A política externa é, antes de tudo, uma política pública. Trata-se de uma obviedade, dirão alguns. E, efetivamente, não há aí nada de novo. Talvez pelas especificidades típicas da atividade diplomática, porém, a política externa é tão frequentemente vista como uma realidade estanque, é tão frequentemente associada a abstrações alheias ao concreto do país de que emana e do mundo a que se dirige, que não será demais reafirmar: a política externa – ao lado de tantas outras – é, sim, antes de tudo, uma política pública, conduzida, no caso do Brasil, pelo presidente Jair Bolsonaro, assessorado pelo ministro das Relações Exteriores.
Para entendermos o novo Brasil, precisamos retornar mais de três décadas no tempo. Após o fim do regime militar, os governos, de José Sarney a Michel Temer, passando por Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff, estabeleceram o presidencialismo de coalizão como base para a governabilidade. De lá para cá, lamentavelmente, o Brasil […]
Em um cenário de múltiplas crises e de uma disputa eleitoral nacional que se avizinhava, o clamor por mudanças estruturais ganhou destaque no debate público brasileiro no início de 2018. Ainda que a polarização política tenha empobrecido os debates entre os candidatos à presidência da República na campanha, não foram poucos os formadores de opinião que convergiram ao anunciar: sem a efetivação de reformas estruturais, o futuro do País está seriamente comprometido.
Poucas vezes (se alguma) um governo teve início com sua política externa tão pouco delineada além de princípios ideológicos genéricos como ocorre com o de Jair Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
Surpreendente sob todos os pontos de vista, a indicação para o mais alto posto do Itamaraty de um diplomata jovem (51 anos), que nunca havia exercido a função de chefe de missão em um país ou organização multilateral e que se tornou conhecido apenas durante a campanha presidencial pelo entusiasmo da adesão às causas do candidato vencedor, parece ter abalado a autoconfiança da Casa, que já vinha sendo solapada nos oito anos anteriores.
O Brasil vive hoje um momento instável e de grandes obstáculos políticos, econômicos e sociais. Os governos eleitos em 2018, tanto em âmbito nacional quanto estadual, terão a responsabilidade de promover mudanças estruturantes no País, de modo a assegurar que o processo de retomada econômica e de melhoria do quadro social atualmente instalado se dê de maneira consistente e duradoura. Neste cenário, é fundamental que a educação básica ganhe prioridade na agenda política brasileira, uma vez que não há país social e economicamente desenvolvido sem educação de qualidade.