Após precisar focar a agenda do governo na defesa da democracia, aos poucos a nova administração vai retomando seus planos. O Itamaraty talvez seja o setor que mais atuou na volta à normalidade: com sua burocracia estável, funcionários de Estado e prioridades determinadas pelo presidente, Mauro Vieira passou a implementar uma série de medidas que mostraram uma reversão da política externa em diversas áreas
Pesquisa indica que, apesar da percepção internacional de reviravolta no Itamaraty, a transformação da retórica da política externa durante o governo de extrema-direita não se traduziu em mudanças reais no comportamento do Brasil no mundo. Sem uma ruptura de peso, o novo governo pode ter um caminho para retomar a normalidade da posição internacional do país
O papel dos militares na política é uma tensão permanente e não resolvida no Estado brasileiro. Para cientista político, o país precisa de reformas que fortaleçam o controle civil, pois a noção de que os militares brasileiros são um poder moderador está viva para grandes setores da população
Políticas de redução do desmatamento falharam até agora por limites e falta de implementação dos compromissos internacionais. Para professora de conservação e desenvolvimento, a eleição de Lula no Brasil aumenta a esperança de preencher essas lacunas e trabalhar para ampliar as políticas de proteção das florestas em todo o mundo
O avanço técnico-científico-informacional faz com que as relações exteriores extrapolem as interações estatais. O cenário demanda das chancelarias criatividade e capacidade de inovação e deve ser visto como uma oportunidade o diplomata reafirmar sua relevância no mundo contemporâneo
Ataques a Brasília parecem ter enfraquecido os bolsonaristas, pelo menos temporariamente, mas descartar ou minimizar sua capacidade contínua de organizar outros eventos violentos no futuro seria não apenas errado, mas perigoso, argumenta professora de relações internacionais
Os acontecimentos de 8 de janeiro colocaram de maneira dramática a necessidade de enfrentar o desafio de tentar equacionar e superar de maneira transparente o problema da militarização da política e da politização das Forças Armadas
Mesmo após a saída de Bolsonaro do poder, a politização das forças de segurança continuará existindo. Para professor de relações internacionais, “desbolsonarizar” as forças de segurança não é a questão central, e o fundamental é desmilitarizar a cidadania brasileira.
A emergência do país está associada à estabilidade econômica e política. Após anos de piora da reputação internacional sob Bolsonaro, novo governo precisa superar a ameaça golpista para que o Brasil volte a construir um papel internacional importante.
Apesar das semelhanças com a invasão do capitólio, ataque em Brasília se diferencia da mobilização radical nos EUA. Para professor de relações internacionais, o balanço do que aconteceu no Brasil é positivo para a democracia pois não houve adesão militar à tentativa de golpe, o novo governo já começou a agir para coibir o bolsonarismo e o apoio internacional legitima a ação de Lula