02 janeiro 2023

Os interesses do país e os desafios para o futuro

Em sua 60ª edição, a Revista Interesse Nacional reúne artigos que discutem a necessidade de reconstrução nacional após quatro anos de deterioração da política nacional e externa, bem como os desafios enfrentados pelo novo governo para elevar o lugar do Brasil no mundo 

Em sua 60ª edição, a Revista Interesse Nacional reúne artigos que discutem a necessidade de reconstrução nacional após quatro anos de deterioração da política nacional e externa, bem como os desafios enfrentados pelo novo governo para elevar o lugar do Brasil no mundo 

Da imagem do Brasil no exterior, deteriorada nos últimos anos em função da polêmica administração capitaneada pelo ex-presidente Bolsonaro, à necessidade de um governo de reconstrução nacional, tendo de volta ao comando da nação Luíz Inácio Lula da Silva apoiado por uma frente ampla em defesa da democracia, a edição 60 da Revista Interesse Nacional, publicada neste início de 2023, navega por questões essenciais para o futuro do país. 

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Qual o tamanho do estrago para o Brasil da era da antipolítica que percorre e afeta o mundo? Quais os desafios que o legado da gestão bolsonarista coloca para o terceiro mandato de Lula? Os artigos no atual número tentam esmiuçar. 

Há um entendimento de que os caminhos se desenham a partir do que será herdado, o que permite vislumbrar o que virá. Pode haver armadilhas ideológicas diante das credenciais democráticas do PT, embora o partido tenha defendido a democracia frente ao perigo iminente. 

Agora, no poder, espera-se que a experiência bolsonarista tenha sido um poderoso antídoto, que não pode se apresentar sob outra roupagem. Os autores reunidos na edição consideram que o mundo de 2023 é mais complexo, incerto e violento do que há 20 ou 30 anos. Nesse cenário, os interesses nacionais devem caminhar em busca da colaboração em temas de interesse mútuo, com o meio ambiente e a mudança do clima ganhando destaque. 

O Brasil não deve escapar dessa direção geral. Na mesma toada, o balanço da atuação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU indica a necessidade de reforma do órgão, de maneira a torná-lo mais legítimo e representativo das realidades políticas do século XXI, sendo inaceitável que regiões inteiras do planeta sejam alijadas de processos decisórios centrais do Conselho. 

Há desafios urgentes como reformas no Ministério da Defesa e relacionados à compreensão da crescente relevância do voto evangélico nas eleições brasileiras, assim como o restabelecimento da responsabilidade histórica do papel do Itamaraty como formulador e executor da política externa do país. Todos são temas da pauta de 2023 e da edição da Interesse Nacional.

A edição da revista começa com um texto do diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil Carlos Alberto. Ele lembra que o Brasil conclui o primeiro ano de seu 11º  mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, à luz da atuação brasileira, analisa a necessidade de reforma do órgão, de maneira a torná-lo mais legítimo e representativo das realidades  políticas do século XXI: 

“É inaceitável que regiões inteiras sejam alijadas dos processos decisórios centrais do Conselho, com a ausência completa da África e da América Latina e Caribe entre os membros permanentes, além da sub- -representação da Ásia”, diz.

O cientista Cláudio Couto trata dos desafios que o legado da gestão bolsonarista coloca para o terceiro mandato de Lula. O entendimento do que será herdado é o caminho para se vislumbrar o que virá. Enquanto o professor de filosofia Denis Lerrer Rosenfield diz que as  credenciais democráticas do PT são duvidosas. Ele considera que contra Bolsonaro o partido soube defender a democracia, tendo tido uma postura responsável, mas tal comportamento não se repete, para ele, quando ditadores e autocratas são de esquerda. 

O embaixador Everton Vieira Vargas considera que o mundo de 2023 é mais complexo, incerto e violento do que há 20 ou 30 anos. Em sua visão, a rivalidade entre EUA e China é distinta da competição que marcou a Guerra Fria entre Washington e Moscou. 

Eugenio Diniz, professor universitário e dedicado ao tema das Forças Armadas, relaciona em seu texto o quão largamente desequipadas elas estão no momento em função da antiguidade de seus equipamentos, os quais, mesmo modernizados, tendem ao baixo desempenho tático. 

Os pesquisadores do tema da evangelização no Brasil, Juliano Spyer e Vinicius do Valle escrevem sobre o futuro político do país com a crescente participação dessa parcela da população. Eles salientam que a mobilização e o uso do discurso e da identidade religiosas ganharam destaque inédito nas eleições de 2022. 

O embaixador Rubens Barbosa elenca em seu texto a responsabilidade histórica de se restabelecer o papel da Casa de Rio Branco como o principal formulador e executor da política externa que o novo ministro do Exterior deverá assumir a partir de 1º de janeiro de 2023. Ele pontua que, seguindo o exemplo do patrono da diplomacia brasileira, o ministro deverá se manter, acima de interesses ideológicos e partidários, as linhas permanentes da atuação externa como política de Estado, e não de governo de turno. E ressalta: “Com visão de futuro, o Itamaraty voltará a ser parte das ações para o Brasil reencontrar seu lugar no mundo como uma das dez maiores economias globais”.

Para finalizar, o jornalista Daniel Buarque (editor-executivo do portal da Interesse Nacional) e a pesquisadora Fabiana Gondim Mariutti tratam da imagem do Brasil no exterior a partir da análise do índice iii-Brasil. Analisando a mídia internacional desde abril de 2022, o índice confirmou o que já era apontado por estudos acadêmicos e publicações sobre o tema. A eleição de  Bolsonaro afetou a imagem internacional do país, ameaçando a sua posição  global e criando o risco de o Brasil se tornar pária internacional. Essa má reputação é perceptível nos relatórios iniciais do iii-Brasil

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Daniel Buarque é editor-executivo do portal Interesse Nacional. Pesquisador no pós-doutorado do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP), doutor em relações internacionais pelo programa de PhD conjunto do King’s College London (KCL) e do IRI/USP. Jornalista, tem mestrado em Brazil in Global Perspective pelo KCL e é autor de livros como "Brazil’s international status and recognition as an emerging power: inconsistencies and complexities" (Palgrave Macmillan), "Brazil, um país do presente" (Alameda Editorial), "O Brazil é um país sério?" (Pioneira) e "o Brasil voltou?" (Pioneira)

Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional

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