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Rubens Barbosa: A visita do presidente eleito do Paraguai e as relações com o Brasil

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Santiago Peña pretende elevar as relações bilaterais como opção estratégica para o desenvolvimento de uma cooperação com empresas brasileiras. Para embaixador, o jovem empresário mostrou uma faceta dinâmica de renovação e de visão de futuro para o governo paraguaio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com presidente eleito do Paraguai, Santiago Peña (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Por Rubens Barbosa*

Visitou o Brasil na semana passada o presidente eleito do Paraguai, Santiago Peña. Jovem e dinâmico empresário de 44 anos, Santiago ganhou uma disputada eleição presidencial pelo Partido Colorado, que há várias décadas está no poder no vizinho parceiro do Mercosul. Não sendo político tradicional, o futuro presidente ocupou cargos públicos como Conselheiro do Banco Central, ministro da Fazenda em Assunção e diretor do BID.

Em diversos encontros na Fiesp, na Associação Comercial de São Paulo e em entrevistas em jornais e televisões, Santiago mostrou uma faceta dinâmica de renovação e de visão de futuro para o governo que se instala na próxima semana pelos próximos cinco anos.

‘O Paraguai tem PIB de cerca de US$ 40 bilhões com um um setor agrícola importante e um setor industrial que Santiago pretende ampliar e diversificar’

O Paraguai tem hoje mais de 7 milhões de habitantes e uma economia com PIB de cerca de US$ 40 bilhões com um um setor agrícola importante (o Paraguai  é um dos maiores produtores de soja do mundo) e um setor industrial que Santiago pretende ampliar e diversificar. Energia renovável (eólica e hidrogênio verde) é outro setor prioritário para o futuro presidente paraguaio

Um dos principais objetivos da visita do presidente eleito ao Brasil foi discutir o futuro de Itaipu. Brasil e Paraguai já iniciaram a discussão sobre a questão do preço da energia gerada por Itaipu, conforme previsto no anexo C do Tratado, depois do último pagamento em maio de 2023 do empréstimo contraído para a construção da hidroelétrica. Sem o encargo do pagamento da dívida, a empresa binacional deverá definir suas prioridades de investimento para os próximos anos. O Paraguai deseja manter os preços da energia nos níveis mais altos possíveis, enquanto o Brasil prefere reduzir o custo da energia gerada para ter menor impacto na inflação. A binacional Itaipu desenvolve um amplo programa de apoio aos municípios próximos da usina no Paraguai, no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Como previsto no Tratado de Itaipu, mas nunca seriamente discutido, foi mencionada durante a visita do presidente eleito a possibilidade de construção de eclusa que permitiria a navegabilidade da hidrovia em todo o seu curso.

Além da negociação sobre a questão do preço da energia gerada pela Hidroelétrica, Santiago mencionou diversas outras áreas de interesse. O corredor bioeceânico ligando o porto de Santos a portos do Chile (Iquiquos e Antofagasta), passando por São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraguai, Argentina e Chile. O corredor rodoviário com mais de 2.250 quilômetros estará completado em 2025 com a conclusão dos dois últimos trechos em construção. A Hidrovia Paraná-Paraguai, que beneficia cinco países (Bolívia, Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai), poderá ser um elemento de atração de investimento, com a possibilidade de ser criada uma entidade internacional, integrada pelos governos e pelo setor privado dos cinco países, para gerir a operação da Hidrovia, como ocorre na Europa, com o Ródano e o Danúbio, que passam por diversos países. 

‘Para seu futuro governo, o Mercosul é parte da estratégia de inserção externa do país’

A resposta do Protocolo Adicional ao Acordo Mercosul-UE, apresentado pelo Brasil à consideração dos países-membros (Argentina, Paraguai e Uruguai), no contexto da conclusão das negociações com a UE, esteve sempre presente nos contatos de Santiago. Para seu futuro governo, o Mercosul é parte da estratégia de inserção externa do país. O Mercosul oferece muitas vantagens ao Paraguai e será muito apoiado pelo futuro governo paraguaio, que pretende que o acordo com a UE seja assinado e que outros acordos possam ser negociados.

Em diversas entrevistas, Santiago tratou da situação interna na Venezuela e do relacionamento com Taiwan. Sobre a política venezuelana, divergiu das afirmações públicas de Lula sobre a democracia no país. A questão de direitos humanos e as medidas anti-democráticas contra os opositores de Maduro foram criticadas na mesma linha do presidente chileno, Gabriel Boric. Em relação a Taiwan, que Santiago acabara de visitar, as relações são fortes e não devem ser alteradas. O fato de ter relação com Taiwan não impede que empresas chinesas estejam presentes no mercado paraguaio para comprar soja e outros produtos agrícolas.

No tocante às relações com o Brasil, Santiago pretende elevá-las como opção estratégica para o desenvolvimento de uma cooperação com empresas brasileiras, para ajudar o crescimento industrial do Paraguai e para ampliar a cooperação com o governo brasileiro no futuro de Itaipu. 

Santiago manteve encontro com Lula em Brasília em que todos esses assuntos devem ter sido discutidos.


*Rubens Barbosa foi embaixador do Brasil em Londres e em Washington, DC., é diplomata, presidente do Instituto Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e coordenador editorial da Interesse Nacional.

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