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Número 75

Ano 19 / out/dez 2026

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Apresentação

Apresentação

Às vésperas da eleição mais difícil e polêmica desde à volta do regime democrático ao Brasil, os articulistas da Revista Interesse Nacional abordam aspectos sobre o que afetará a escolha dos cidadãos, assim como os reflexos disso no resultado das urnas. Sem dúvida, o papel do Supremo Tribunal Federal contribui: “Mesmo quando silencia, o Supremo interfere. Sua inação age, com consequências quantitativas e qualitativas para as eleições. E isso chegará ao eleitor, aos partidos, à mídia, aos candidatos e a tantos outros”, resume um dos textos.

Outro ponto de destaque é a consciência de que desinformação não é apenas acidente de percurso nas redes digitais, nem efeito colateral indesejado da cultuada “liberdade de expressão” no ciberespaço, mas sim “estratégia de construção de hegemonia e um projeto de tomada do poder”. A questão é: a desinformação eleitoral contemporânea se alimenta de “fabricar” temas e distorcer acontecimentos para manter públicos alienados, em favor desta ou daquela tendência.

A corrupção em diversas esferas, naturalizada e generalizada no Brasil graças ao histórico de patrimonialismo, compadrio político e nepotismo, que remontam ao modelo das capitanias hereditárias, nunca favoreceu à implantação de políticas públicas anticorrupção, embora esse assunto sempre surja forte em períodos eleitorais. A inércia em torno do tema favorece o crescimento da infiltração do chamado crime organizado nas entranhas e nas estruturas públicas.

Os resultados das pesquisas são retratos de um momento, e não previsão de resultado. Se, por uma lado, não contribuem para apontar resultado, suas pesquisas, usadas à exaustão, patrocinam entrevistas que permitem identificar tendências, rejeições e grupos mais ou menos propensos a mudar de opinião. A polarização continua organizando parte significativa da disputa presidencial. Os homens avançam mais para a direita e as mulheres se mostram relativamente mais moderadas, rumo ao centro. A religião, que nos últimos anos permeou disputas, segue defendendo pluralismo e autonomia do cidadão votar por convicção própria.

Alguma interferência dos EUA na eleição brasileira surge, nesta edição, avaliada pela dificuldade interna deles, com as eleições de meio de mandato, que podem alterar a correlação de forças no Congresso americano. Elas ocorrem em novembro, depois da eleição brasileira. Assim, o futuro das relações construtivas entre as maiores democracias do hemisfério segue em jogo.

Boa leitura, os Editores.

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