Ao prolongar um conflito sem alcançar objetivos como a mudança de regime em Teerã ou o fim do programa nuclear iraniano, Donald Trump teria enfraquecido a posição estratégica dos Estados Unidos, fortalecido a coesão interna do Irã e aberto espaço para maior influência de China e Rússia no equilíbrio global de poder
Em artigo publicado na revista Foreign Affairs, o pesquisador Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly, argumenta que a América Latina se tornou a área de política externa em que Donald Trump mais avançou sua agenda, e que nenhum governo americano dedicou tanta atenção e recursos à região em pelo menos 40 anos. Segundo Winter, esse […]
As crises políticas dos Estados Unidos costumam ser vistas como um tema essencialmente doméstico. O restante do mundo tende a acompanhá-las sobretudo por seus possíveis impactos econômicos ou diplomáticos. Raramente, porém, se faz uma pergunta mais profunda: por que a evolução das instituições políticas americanas deveria interessar à comunidade internacional? A resposta está na relação […]
Em um cenário de rivalidade crescente entre Estados Unidos e China, o Brasil amplia sua integração econômica com Pequim enquanto preserva instituições, valores políticos e tradições diplomáticas mais próximas do Ocidente. A análise comparada mostra como essa dupla inserção deixou de ser uma escolha circunstancial para se tornar uma condição estrutural da política externa brasileira, impondo o desafio de transformar a busca por autonomia em vantagem estratégica sem depender excessivamente de nenhuma das duas potências
A erosão da qualidade democrática nos Estados Unidos ocorre em meio a pressões inflacionárias, perda de confiança dos investidores, desvalorização do dólar e expansão dos gastos militares, levantando dúvidas sobre a estabilidade institucional da maior economia do mundo e seus impactos sobre os mercados e a ordem internacional
Comitê Especial da Competição Estratégica entre os EUA e China classificou o Brasil como parte de uma rede global de espionagem militar chinesa na América do Sul
A comparação entre a abertura diplomática promovida por Nixon e Kissinger nos anos 1970 e a recente aproximação entre Trump e Xi Jinping revela mais diferenças do que semelhanças. Enquanto a estratégia americana na Guerra Fria reorganizou o equilíbrio global ao explorar a divisão sino-soviética, o atual diálogo busca apenas administrar uma rivalidade direta entre as duas maiores potências do mundo. Em um cenário marcado por alianças fluidas, interdependência econômica e ausência de liderança hegemônica, a relação sino-americana continua sendo o eixo central da política internacional, mas sem capacidade de restaurar uma ordem global estável. A diplomacia reduz tensões e amplia a previsibilidade, porém não elimina a competição estratégica nem a crescente fragmentação do sistema internacional
Por Monica Herz e Paulo Esteves* Duas características do governo Trump sinalizam que há um projeto cada vez mais claro de intervenção nas eleições de Brasil e Colômbia este ano: suas atitudes em relação às instituições e aos princípios da democracia liberal; e sua política de afirmação da América Latina como zona de influência dos […]
A recepção cuidadosamente coreografada de Xi Jinping a Donald Trump reforçou a mensagem de que a China se vê como rival estratégica dos Estados Unidos em um sistema internacional em transformação. Tendo Taiwan como ponto mais sensível da disputa, o avanço tecnológico chinês, a crescente interdependência econômica e a competição por liderança global elevam o risco de tensões entre as duas potências
A escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos combina disputas comerciais, divergências sobre crime organizado, pressões sobre regulação digital e a chegada de um novo embaixador alinhado ao governo Trump. Em meio ao calendário eleitoral brasileiro, tarifas que podem atingir 21% das exportações para o mercado americano e ameaças de novas restrições ampliam os riscos para a relação bilateral e para setores estratégicos da economia