A abundância de recursos naturais e a liderança agroalimentar, longe de serem apenas ativos de influência, podem transformar o Brasil em um alvo de disputa ou coerção pelas grandes potências eurasianas e pela superpotência norte-americana. Na ausência de capacidades militares compatíveis com sua extensão territorial e econômica, o país corre o risco de ser reduzido a um objeto da política externa alheia, em vez de sujeito
Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, muitos analistas apostaram que o país seria isolado pelo “Ocidente”. Mas China, Índia, Brasil e vários outros Estados não aderiram às sanções. Pelo contrário: aumentaram o comércio com Moscou, negociaram em moedas alternativas e reforçaram fóruns como o BRICS. Diversos analistas descrevem o momento atual como uma […]
Entre o luto das potências ocidentais e o otimismo do Sul Global, a transição para um mundo multipolar revela mais pluralidade do que declínio: a autonomia ganha força com o não-alinhamento ativo, e a cooperação se reinventa, indicando que o multilateralismo não acabou, apenas se transformou em um cenário mais fragmentado e pragmático.
Em 20 de janeiro de 2025, Donald Trump tomou posse como 47º presidente dos Estados Unidos (EUA). No mesmo dia, ele retirou o país da Organização Mundial da Saúde (OMS), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), alegando, entre outros pontos, a má gestão da pandemia da covid-19 pela organização e a exigência de […]
Passando por cima do direito interno e internacional, a operação na Venezuela reflete uma transformação mais ampla da política externa dos EUA sob Trump, em que imperativos políticos domésticos pesam mais do que a credibilidade e legitimidade internacional
Ao contrário do que muitos analistas escrevem, geopolítica e política internacional não são sinônimos. Enquanto a política internacional envolve todo assunto político com reverberação para além das fronteiras de um Estado, a geopolítica diz respeito às relações de poder entre Estados, envolvendo espaços geográficos
Brasil e Canadá falam publicamente sobre ruptura da ordem internacional e da formação de alianças e parcerias, mas esbarram em limitações políticas e econômicas e em interesses divergentes
A criação de um órgão paralelo submetido à vontade pessoal de Trump parece menos uma tentativa genuína de promoção da paz e mais um esforço deliberado para esvaziar instâncias cujo poder os (ainda) superpoderosos EUA precisam dividir e negociar com as outras nações
No Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro de 2026, o primeiro-ministro canadense Mark Carney fez um diagnóstico incomum para um chefe de governo aliado de Washington. Ao afirmar que a ordem internacional baseada em regras vive uma “ruptura, não uma transição”, Carney sustentou que a integração econômica, por décadas apresentada como fonte de estabilidade, […]
A crise do multilateralismo não é um fenômeno externo que se impõe aos Estados. Ela é produzida por eles. E só poderá ser superada quando houver disposição política interna para reconstruir a confiança nas regras, nas instituições e na cooperação como instrumentos legítimos de ação coletiva em um mundo cada vez mais interdependente