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iii-Brasil: Mesmo cancelada, viagem de Lula à China projeta imagem do Brasil no exterior

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Planos de aproximação diplomática e econômica entre os dois países tiveram repercussão na mídia estrangeira, projetando a ideia da ‘volta’ do Brasil à arena internacional após anos de retração sob o governo anterior

Por Daniel Buarque e Fabiana Mariutti*

iii-Brasil – de 20 a 26/3/2023

Visibilidade: 58 reportagens em 7 veículos analisados

Classificação das notícias:

59% Neutras

19% Negativas

22% Positivas

A expectativa sobre a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China (cancelada no fim de semana por conta de problemas de saúde do governante), ajudou a impulsionar positivamente a imagem do Brasil na imprensa internacional. Ao longo da semana, diferentes veículos da mídia estrangeira publicaram reportagens sobre a agenda do governo brasileiro no gigante asiático, ressaltando a importância do tour para a anunciada “volta” do Brasil ao mundo após o fim do governo de Jair Bolsonaro. Mesmo após o cancelamento da viagem, muitos dos textos destacaram favoravelmente  o país no exterior.

No total, foram registrados na quarta semana de março 58 textos com menção ao Brasil nos sete veículos analisados, volume bem abaixo da média semanal do Índice de Interesse Internacional (iii-Brasil). A maior proporção dos textos teve tom neutro (59%), o volume de menções positivas foi de 22% (acima da média) e o percentual dos textos com tom negativo foi de apenas 19% . 

Naturalmente, a maior parte da cobertura sobre a viagem do presidente brasileiro teve espaço no jornal chinês China Daily e também no Público, no El País e no Clarín. A publicação destacou a importância das relações entre os dois países e o potencial de novos acordos a partir do encontro de Lula com o líder chinês Xi Jinping, com a intenção de ampliar os laços comerciais entre os dois países. O China Daily destacou também, em duas reportagens, o potencial de negociações para uma agenda de sustentabilidade na parceria entre os dois países

Um dos destaques na publicação chinesa foi um artigo do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, que defendeu que “Sob a liderança do presidente Lula, que assumiu o cargo em 1º de janeiro, o Brasil está de volta ao cenário mundial, após quatro anos de ausência. E o relançamento do relacionamento estratégico com a China é uma prioridade absoluta, como bem demonstram o tamanho e o alto nível da delegação governamental e empresarial brasileira”. O tom é semelhante ao usado pelo jornal britânico The Guardian para apresentar a viagem. “’O Brasil está de volta’: Lula visitará Xi enquanto ele restabelece relações diplomáticas com a China. A reunião faz parte de uma turnê de alto nível enquanto o presidente do Brasil tenta reparar a reputação do país após a era Bolsonaro”, diz.

Um dos pontos mais importantes da cobertura da imprensa chinesa foi um artigo que propôs que o Brasil deveria ser incluído na Belt and Road Initiative, um dos maiores projetos de investimentos internacionais da China. “Como a economia brasileira enfrenta desafios significativos, o Brasil precisa atrair mais investimentos estrangeiros para impulsionar sua economia e, como a segunda maior economia do mundo, a China pode dar uma mão nesse sentido”, diz.

Apesar de a proporção de notícias com tom positivo ter superado as menções negativas ao Brasil, questões ligadas à Amazônia e ao meio ambiente continuaram afetando a imagem do país na mídia estrangeira. 

O jornal americano The New York Times publicou uma reportagem sobre a situação delicada dos yanomami, alegando que a ação de garimpeiros continua afetando a sobrevivência dos indígenas. “A maior tribo isolada da Amazônia está morrendo”, diz. O francês Le Monde também publicou uma reportagem sobre a violência na Amazônia, e o britânico The Guardian voltou a tratar das investigações sobre a morte de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips, criticando os atrasos nos julgamentos do caso. 

Uma projeção positiva do país foi publicada no El País em que destaca a inauguração do maior complexo de energia renovável da América Latina no Brasil pela empresa Iberdrola, no interior do Paraiba. Com 136 aerogeradores e 228 mil painéis solares distribuídos em um parque de mais de 8 mil hectares, tem capacidade instalada de 600 megawatts (MW). No Clarín, o destaque foi para o fato do Brasil usar apenas metade de suas terras férteis disponíveis e ainda ser o maior exportador de agroalimentar do mundo. Outro texto pelo Clarín aborda a representatividade de agribusiness de um estado brasileiro com a produção de soja maior que toda a Argentina; o Mato Grosso, cuja safra 2022/23 espera colher mais de 41 milhões de toneladas do grão, enquanto na Argentina as projeções caem para 25 milhões de toneladas.

Retrospectiva 

Desde o início de abril de 2022, o iii-Brasil coletou e analisou em média 70 reportagens por semana com menções de destaque ao país nos sete veículos de imprensa analisados. 

Ao longo do levantamento, o iii-Brasil registrou em média 50% de reportagens de tom neutro, 34% de menções com tom negativo e 16% de textos positivos sobre o país. 


*Daniel Buarque é editor-executivo do Interesse Nacional, pesquisador do pós-doutorado do IRI-USP, doutor em relações internacionais pelo programa de PhD conjunto do King’s College London (KCL) e do IRI/USP. É jornalista, tem mestrado em Brazil in Global Perspective pelo KCL e é autor dos livros “Brazil, um país do presente” (Alameda) e “O Brazil É um País Sério?” (Pioneira).
Fabiana Mariutti atua como pesquisadora, professora universitária e consultora; obteve pós-doutorado, doutorado e mestrado em Administração e bacharel em Comunicação Social. Estuda a imagem, reputação e marca Brasil desde 2010. Autora dos livros: “Country Reputation: The Case of Brazil in the United Kingdom: Four Stakeholders’ Perspectives on Brazil’s Brand Image(2017) e Country Brand Identity: Communication of the Brazil Brand in the United States of America (2013).

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