Edição 4

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Este número da revista começou a ser produzido quando ainda escutávamos os lamentos pelo fracasso da Rodada Doha, no início de setembro, e antes que o sistema financeiro entrasse em virtual colapso, depois da quebra do banco Lehman Brothers, em meados do mesmo mês, episódio que lançou o mundo definitivamente na pior crise desde 1929.
Sobre Doha e o comércio exterior brasileiro, escrevem o ministro do desenvolvimento, indústria e comércio exterior, Miguel Jorge, e o embaixador Rubens Barbosa. Os autores ex- põem visões diferentes sobre a seguinte questão: o governo brasileiro tem conduzido bem as negociações comerciais?


Para tratar do mesmo tema, foi convida- do o chanceler Celso Amorim. O convite foi aceito, mas, na véspera do fechamento da revista, o Ministro decidiu não publicar o artigo em virtude de uma nova e inesperada reunião ministerial da OMC marcada para meados de dezembro. Fica para uma próxima. Até porque a Rodada Doha ganhou sobrevida, em meio ao temor de que a crise econômica global desencadeie reações protecionistas em vários países, que só fariam agravá-la.


Sobre a crise propriamente dita, a revista traz o artigo do economista Gilson Schwartz, que dá sua visão sobre os impasses que vive a economia mundial. Para Schwartz, o mundo está diante de três soluções possíveis: uma improvável mudança de modelo (com novas formas de organização dos mercados e das relações entre estado
e mercado); a eliminação dos mais fracos pelos mais fortes em meio a uma recessão profunda e prolongada (darwinismo econômico-financeiro que resultará em maior concentração do poder político e econômico); ou uma bem-sucedida coordenação entre governos nacionais, levando à mitigação dos impactos sociais da queima de capitais ora em andamento. O autor considera a “solução darwinista” a mais provável de todas. Uma coisa é certa: voltaremos à crise nos próximos números da revista, já que, desafortunada- mente, ela não nos abandonará tão cedo.


Se a crise é um assunto obrigatório, não nos deve fazer esquecer do longo prazo. Nesse horizonte, tem grande importância a descoberta das reservas de petróleo e gás da chamada camada do pré-sal. Como explorar essa riqueza potencial e o que fazer com a renda resultante? Sobre o melhor regime para a exploração do pré-sal, escrevem o senador Aloízio Mercadante e o deputado Luiz Paulo Velloso Lucas. São duas visões diferentes sobre se deve ou não haver mudança do marco regulatório atual – sim, para o primeiro; não, para o segundo. Mais do que respostas simples a uma questão complexa, o leitor encontra em ambos os artigos uma discussão qualificada sobre um tema que está no centro da agenda nacional.


Ainda na área de energia, este número conta com a colaboração de Luiz Carlos Costamilan, ex-presidente da British Gas. O que o Brasil vem fazendo para reduzir a dependência do gás natural proveniente da Bolívia e como aumentar os investimentos privados no setor? Essas são as duas principais questões que o autor aborda em um artigo rico em dados e informações, que termina com uma análise do conteúdo da chamada Lei do Gás, ora em tramitação final no Congresso. Para o autor, trata-se de um passo importante para promover o investimento privado no setor. Ele diz por quê.


Quem fala longo prazo fala educação. Já estava na hora de voltamos ao tema, tratado por Cláudio Moura Castro no primeiro número da revista. Agora quem escreve é o economista Gustavo Ioshpe, especialista na área. Ele se vale de dados nacionais e internacionais sobre quanto os países desenvolvidos e em desenvolvimento gastam por aluno no ensino básico e no ensino superior. Comparando-os, mostra que o Brasil gasta muito para educar poucos universitários e muito pouco para educar mal muitos alunos do ensino básico. Não é um artigo agradável de se ler, pela realidade que revela. Por isso mesmo, deve ser lido. Para mudar esse quadro, o autor propõe uma agenda de reformas, cuja peça principal é uma Lei de Responsabilidade da Educação.


Outro artigo trata, pela primeira vez na revista, da região Nordeste e as perspectivas do seu desenvolvimento. O autor sabe do que fala. Roberto Cavalcanti de Albuquerque, diretor do Instituto Nacional de Altos Estudos e ex-superintendente do Instituto de Pesquisa em Economia (IPEA), conhece a região de perto e de longa data. São vários Nordestes, mostra ele, com o auxílio de mapas geoeconômicos. A região vem passando por transformações que a afastam, cada vez mais, da imagem estereotipada de atraso que ainda prevalece no imaginário do Centro-Sul. Bom para o Nordeste e também para o país, dizemos nós. Com a publicação do quarto número, Interesse Nacional completa seu primeiro ano de vida.


Aproveitamos a ocasião para reiterar a nossa convicção sobre a importância do debate qualificado e pluralista de idéias e o nosso compro- misso em fazer da revista um espaço atento e aberto a esse debate. Acreditamos que isso seja do interesse nacional, visto pela ótica democrática, que é a nossa.

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